05/03/2012

Motelzinho barato

Ela é do tipo de mulher que arrumada não fica bonita. Tanta mulher linda e burra por aí. Eu já estou farto dessas mulheres de bunda gigante. Mulher pra mim ou é igual modelo de revista, ou é de verdade. Só uma das duas existe. E foi da forma mais inesperada que eu descobri a mulher de verdade.


Saí à procura de uma mulher de verdade, como sempre faço. Só que até ontem eu era imbecil e acreditava que essa mulher de verdade seria a mesma da foto. Acorda ao lado da modelo e reconheça-a de um comercial; faz isso...

Gosto de mulher de verdade, aquela que acorda com um bafinho, descabelada, com sono, com tesão. Ela acorda num fogo, a danada!

Nos conhecemos e saímos para uma festa. Eu não sabia como abordá-la, já que na entrada ela me disse, “é a festa da minha ex, tá”. Já bêbados, levei-a pro canto e começamos a nos beijar, uma loucura.

Fomos pela rua, à procura de um canto. Parei o carro em frente a uma casa, três ruas abaixo da minha. Ela disse, “aqui?, o que nós vamos fazer aqui, em baixo do poste?”

Fomos para o motel.

Na porta fiquei com vergonha, mas entrei. Não tinha grana direito; e ela nem era gata. Naquela hora eu pensava assim. Entramos. Um fogo dentro do carro, com a portinhola aberta. Entramos para o quarto, simples e limpo. Quarto sujo de motel também não.

Abracei-a e disse, eu te amo. “Mas é a primeira vez que saímos”, ela disse. Então perguntei, não posso te amar?

Foi uma loucura na cama. Fui massageá-la. Ela com os cabelos tingidos, amarelados, longos; feio pra burro. A pele queimada de sol, com manchas nas costas. O pé mais grosso do que o meu. Os dentes mal cuidados. Um leve cheiro de sovaco.

Depois de fazer amor a noite inteira, nós dois suados na cama, um calor danado; um cheiro de suor e orgasmos. Olhei nos olhos dela e disse, eu te amo! Ela pegou meu pinto, apertou, olhou nos meus olhos e disse, “ama nada, você só quer me comer; deixa de conversa mole e vem me comer, vem”.

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23/02/2012

Olha a merda que deu! (13)

Carnaval na Bahia é foda! Literalmente...

Passei o ano todo buscando uma desculpa para terminar o namoro e nada convincente vinha à cabeça. Nada de útil. Passei os últimos seis meses pensando nisso, em como terminar antes do fim do ano.

Até que eu cheguei, sem saber o que ia falar, convidei-a pra comer num japa. Fomos como de costume. Sentamos de frente pra tevê, comemos olhando pra tevê, paguei com ela olhando pra tevê. Saímos com ela olhado pra tela do celular.

Sua única fala foi quando peguei o caminho de sua casa. “Não vamos ao motel hoje?”, perguntou. Não estou afim, respondi. Quero conversar.

Fomos em silêncio até sua casa. Comecei: nós já não estamos bem, não está mais legal... Aquele lenga-lenga. Até que eu não tinha mais o que falar e disse: não sou homem pra você, eu passo doze horas por dia malhando na academia, não leio nem uma hora por semana, e você só estuda e quer ter uma vida boa.

Ela foi e nós terminamos. Começou a festa.

Ano novo fui pra praia com os amigos. Uma curtição só. Beijava em média umas oito por noite. Só no axé, forró, funk. Foram quatro dias de festa. Afinal, eu mereço, trabalho o ano todo, malho o ano todo pra chegar e ficar só com uma mulher? É ruim hein...

Carnaval é onde eu me esbaldo! É pesado! Dessa vez fui de carro pra Salvador com mais três amigos, no carro; os outros foram de avião. Já tinha apartamento alugado, tudo esquematizado. Arrumei por uma ninharia; amida de ex tem que servir pra alguma coisa.

Chegamos na pilha, aquela zoeira total. Só mulher sarada querendo transar, isso é que é vida!

Entramos no prédio e era festa pura. Um monte de gringos entrando e saindo do nosso vizinho. E só entrava homem. Guardamos as coisas e fomos pra rua.

Festamos a noite inteira, bebendo e beijando. Cheguei no prédio umas sete da manhã, tinha acabado de comer uma gostosa no carro. Pisei no hall e vi um cara quase comendo uma mulher, e ainda pensei, que gostosa! Fiquei de canto olhando. Tirou o short dela, abaixou o seu, quando ele foi enfiar, ela olhou para mim. Olhou bem nos meus olhos e disse pro gringo, “me come gostoso”.

Gritei: para seu gringo desgraçado, ela é minha namorada. “Namorada?, de quem?”, ela disse.

Fui pra cima dele e ela entrou na frente. “Bate em mim, bate; você acha que só você pode curtir o carnaval na Bahia? Vá procurar suas negas.”

Com a gritaria apareceu gente de todos os apartamentos gritando “vai dormir, seu corno!”

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01/02/2012

O fantástico mundo de Romárcio - o cara que tinha futuro

Tinha tudo para ser um fenômeno. Só faltou uma coisa: humildade. E talvez seu maior defeito seja acreditar demais nas pessoas. Acredita em tudo que dizem para ele. Por isso ainda tem futuro – é o que lhe resta.

Era a promessa da família para o ser o novo Pelé. Aos seis anos, depois de insistência do pai em levá-lo para os treinos, aposentou as chuteiras. Não queria treinar, pois “é o melhor da equipe, o técnico é que não enxerga direito”.

Passou a jogar pelada na rua e no clube, mas não treinava. Arrebentava nos campeonatinhos da rua e sempre ouvia de seu pai, “ele é o melhor que já vi jogar, só não gosta de treinar, uma pena – mas ainda levo-o para um time grande.”

Alguns amigos fizeram teste em times e passaram. Romárcio não, ele não queria fazer teste. Não preciso de teste, dizia aos amigos.

Já adolescente raramente jogava um campeonato de várzea. Deixara o futebol. Já havia feito gol de todas as formas possíveis. Passou a beber cerveja e fumar cigarro nas festas – muito frequentes.

Como um bom garoto, Romárcio estudou – jamais lera um livro durante sua vida – e ingressou na universidade. Era festa todos os dias. Morava na República dos Cara! Eles tinham hino e tudo. Era mais ou menos assim: Aqui, na República dos Caras, não entra mina acompanhada, só se for as mina dos Cara!

E durante uma festa de faculdade, já bêbado e só de bermuda, disse: era pra eu estar na final dessa merda de campeonato; jogo muito mais que qualquer um aí. A metade da turma riu. A outra metade nem ouviu, pois além do som alto, em final de campeonato ninguém fica quieto – ainda mais com a torcida divida. Essa foi a maior prova de amizade de Romárcio e sua turma – assistirem à final do Brasileirão juntos, bêbados, e era para todos comemorarem, vencedores e perdedores.

Durante o jogo Romárcio repetia sempre, era pra ser eu esse cara aí. Alguns riam – os que ouviam, claro. Um a zero contra, faltando dois minutos para terminar e o juiz apita um pênalti para o time de Romárcio. Aquele silêncio na casa, apreensão, e Romárcio diz, segundos antes do batedor correr para a bola: eu bateria no meio, uma porrada.

O goleiro pegou a bola no canto esquerdo e, como disse na entrevista depois do jogo: “quando entrei em campo, orei e falei, é hoje que eu se consagro.” Romárcio ficou indignado. Disse novamente aos amigos: era pra ser eu aquele batedor de merda! Dessa vez ninguém falou nada.

Romárcio formou na universidade não se sabe em quê. Leva uma vida dizendo: era pra ser eu aquele cara ali.

Engravidou uma colega de trabalho e casará no próximo final de semana. A única vez que ninguém riu dele foi quando disse, passando em frente a uma igreja: não era pra ser eu aquele cara ali, eu tenho futuro, aliás, é só o futuro que me resta.

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21/01/2012

Falaram

Falaram que era legal
Diziam que não fazia mal
E quem fazia era um cara legal.

E eu acreditei.

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10/01/2012

As mulheres apaixonantes

Abre seu coração ou eu arrombo a janela
Chico Buarque

Sou uma pessoa que fala muitas vezes sem pensar. Várias bolas-fora ao longo da vida; já perdi amigos por falar demais – a verdade, só que a verdade que não era para ser dita. Também sei ficar quieto, calado. Mas as palavras brotam tanto que é muito difícil ficar de boca fechada. E quando estou apaixonado solto o verbo.


Escrevo versinhos, frases bonitas, cartas, bilhetes, mensagens de celular... Tem mulher que merece.

E eu gosto das que merecem, aquelas que merecem ser amadas, fazem por merecer. Olha e ela está sorrindo, um sorriso sincero, brotado e colhido. Um sorriso surpreso, espontâneo.

Certa vez, apaixonado, nem sabia o que falar. Esse dia foi difícil. Até aparecer a primeira frase com sentido demorou um bocado, pode ter certeza. E depois desembola meia dúzia de palavras e como diria meu amigo Chico, “a gente vai levando”...

Pensar apaixonado enquanto escuta música é, talvez, o primeiro descobrimento da paixão. Escutar aquela música juntos, os dois em silêncio, agradecendo cada palavra soada. Música de amor é muito bonita; só não gosto dos clichês, por favor. Meu sonho tocar uma música para uma mulher.

Escutar música fazendo massagem; existe coisa melhor?

Tinha uma época que eu chegava em casa e escrevia um versinho. Quatro frases. Homem apaixonado é bobo demais. Meu pai sempre disse isso e, cuidado com homem apaixonado, faz besteira sem ver. E faz mesmo. Já reparou o tanto de homem com o nome da namorada tatuado no corpo?

Homem apaixonado é bobo demais.

Essa crônica terá que ser mais curta hoje, estou atrasado para o jantar, e ainda tenho que passar no supermercado – esqueci de comprar as flores.

Faz tempo que espero por este jantar. Ela é demais, você precisa conhecer.

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26/12/2011

Um sorriso lindo e uma risada gostosa

“Vou escrever uma história com o título Um sorriso lindo e uma risada gostosa, em sua homenagem.”

“Então quer dizer que as histórias são verídicas?”, ela perguntou irônica.

“Não sou eu nas histórias; é tudo inventado”.

“Que pena, tem umas que eu ia querer fazer igualzinho está escrito”.

Essa história começou assim, fui apresentado para todos num dia só; não guardei um nome sequer. Só um sorriso. Pensei duas coisas apenas ao vê-la: 1ª) que sorriso lindo; 2ª) ela deve ter o beijo gostoso.

Olhei uma vez apenas e pensei logo isso. Era uma aliança em seu dedo?

No segundo dia, sem querer, chegamos ao mesmo tempo na portaria. Eu estava estressado, já havia xingado um motoboy de tudo que é nome, já havia comprado dois jornais no sinal, sabia que estava atrasado. Não suporto a ideia de chegar atrasado e a secretária olhar para o relógio, olhar para mim e dizer, ironicamente: bom dia, senhor. Ela não suporta ter como chefe um cara como eu.

Entrei no prédio, olhei para ela e vi um sorriso lindo. Amoceli. Disfarcei da melhor forma possível: bom dia, senhorita, como está? Ela com um lindo sotaque disse: to joia, e você?

Entramos no elevador, último andar, nós dois. Só nós dois no elevador.
Entrei na minha sala, sentei, fiquei sem saber o que fazer. Lembrava dela. Olhava para a janela e via um sorriso em meu rosto. Fiquei assim a manhã toda. Quase não trabalhei. Saí para almoçar e quem vejo, linda, de batom. Tentei encontrar uma alguma frase bonita para falar mas nada vinha à cabeça.

Ela falou uma besteira e eu ri alto. Nós dois rimos muito. Saímos como se fôssemos conhecidos íntimos, caminhando na mesma direção até que ela pergunta por um restaurante. Almoçamos juntos e foi uma beleza. Educada, sabe segurar os talheres, mulher elegante. Enquanto ela pagava fiquei observando suas costas; no caminho de volta, não aguentei e falei: amanhã mesmo vou pedir para proibirem-na de vir com as costas de fora, fica impossível trabalhar.

Voltamos rindo e esbanjando alegria.

Depois desse dia fiquei sem vê-la por uma semana. Não consegui trabalhar direito. Depois do almoço, no dia seguinte, eu escrevi no vidro: “Não existe coisa mais bonita do que uma mulher bonita”.

Segunda – feira, numa ressaca brava, com uma garrafa de água na mão, entro sem dar bom dia ao porteiro, sem olhar para ninguém no elevador. Cabeça baixa, pensando, tinha trabalho a ser entregue antes do almoço; eu só tinha o esboço até então.

Fiz tudo correndo, deixei tudo pronto. Não tinha outra coisa na cabeça senão a frase. Minha cabeça estava longe.

Entrei na sala e ela estava ali, lado direito do presidente, sorrindo. Sentei de frente para ela, do outro lado da mesa. Durante a reunião foi falado que minhas histórias não estão como antes, os leitores querem textos mais curtos, mais rápidos. Leitura rápida. A frase mais dita na reunião, leitura rápida.
Depois da reunião nos encontramos para um café – estávamos com fome.

Sou escritor de contos eróticos e roteiros de filmes pornográficos. Ela é a filha do dono, ou seja, a dona. O pai despede na hora funcionário visto com sua filha.

Eu só tive tempo de dizer isso a ela, “um sorriso lindo e uma risada gostosa”, em sua homenagem.

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19/12/2011

E eu?

Teve uma época que a pessoa mais ligada a mim disse que eu jamais conquistaria alguém pela simpatia. Queria dizer a essa pessoa que hoje sou professor de crianças e piro demais com elas; conheço todas as crianças da escola, carrego alguns no colo, com outros eu jogo bola na quadra, ando de skate com outro – aliás, ganhei de presente um skate dos alunos. E nessa época de fim de ano fiz o que eu realmente queria fazer, passei alunos que não merecem passar. É o sistema.

Assinei camisa de um monte de alunos hoje, lembrei da minha época de escola. Época boa. E fico pensando, por que não deixar as crianças serem crianças? É muito difícil compreender uma criança, é preciso entender que ela tem pensamentos e está começando a criar sentidos; é preciso cuidado para falar, pois elas escutam tudo e o pior, repetem tudo. Complicado também é saber como cobrar. Pega um menino que a relação familiar é complicada, como esperar educação de uma pessoa que não aprende a ser educada?

Queria dizer a outro amigo, este de longa data, que virei mesmo um professorzinho. Cara, e sabe que estou gostando. Eu não sei como posso assumir isso, mas assumo, eu gosto de ser professor. É legal, no fim das contas. Tem momentos legais, e entre eles o conteúdo. Eu não preciso vomitar regras para os meninos. Posso ensinar. Além disso, estou gostando da escola. Agora, de escola continuo não gostando. Mas isso não é assunto pra agora.

E olha só quem aparece na história. Você mesmo, leitor. Está pensando se a história é minha ou é ficção. Não é ficção, é tudo verdade. Por que não falar um pouco sério, já que tenho brincado um bocado. Faz tempo que quero sentar aqui para escrever uma crônica intitulada: Brasil, o país do desperdício. Quanto desperdício vejo por aí. E sabe que na escola é grande. Um que me chamou a atenção foi o desperdício de inteligência. Quanto pensamento jogado fora.

Você acredita que todos os dias eu pego minha caneta, escrevo no quadro a data, bom dia, “aula de hoje”, e sempre um aluno pergunta, é pra copiar? Isso é sempre. Talvez eles não levem a sério as “aulas de hoje”. Tem cada uma. “Aula de hoje: e o mundo encantado das palavras ataca novamente”, ou, “aula de hoje: revisão 4, a batalha final!”

Agora vou falar com a mãe de um amigo muito especial. Passei anos e anos vendo-a preparar aula em casa, montando planilhas, desenhos, gráficos, enfim, tudo. Para ter ideia, isso foi até 98, em Foz; mudei para BH em 2007 e ela continua lá, sentada na sala lendo jornal para procurar material para os alunos, corrigindo prova, esse trabalho de professor. Nunca fui aluno dela. E eu fico aqui, Rosane, pensando: uma pena eu não ser assim, meus melhores professores foram assim, eles chegavam com a cabeça a mil.

Leitor amigo que me acompanha até aqui, diga-me, gostaria de saber que o professor do seu filho adora ler e escrever, e adora entrar na onda das crianças e criar com elas. Cada trabalho legal os meninos fizeram.

Tem duas histórias que eu preciso contar para você, só que você tem que prometer não contar pra mais ninguém. Ok? Um dia castiguei os meninos a copiarem um texto de um livro; a sala finalmente quieta, de repente, um menino cai no chão. Olhei pra ele, olhei pra sala, aquele clima pesado de depois de briga, voltei a olhar o menino no chão e gritei: bolinho nele! A sala inteira pulou.

A outra história é assim. Era sexta, depois do recreio, véspera de feriadão, aquela zona na escola. Entrei na sala e escrevi no quadro, “aula de hoje: sermão pré-feriado e brincadeira do Silvio Santos”. Já no fim da aula fui até o fundo, mostrei pros meninos um saco de balas e falei, brincadeira do Silvio Santos é assim: eu fico com esse saco de balas aqui no fundo e cada bala que vocês pegarem vale um ponto. Aquela euforia.

Lá do fundo da sala, a meninada doida, pulando, gritando, e eu lá, rindo com um saco de balas na mão. Enfiei a mão, tirei as primeiras e gritei: quem quer ponto! Mais uma mãozada: quem quer ponto! Depois de umas quatro sessões chega o pentelho da turma: Márcio, peguei sete balas, são sete pontos. Olhei pra ele, dei um tapa na mão dele, as balas voaram, os meninos pularam no chão para pegá-las, ele ficou sem bala alguma. Dei uma piscadinha pra ele e fui embora.

Pois é, a vida tem dessas coisas, no início do ano recusei uma escola – por não gostar de escolas. Agora no fim do ano, todas as notas passadas, estou escrevendo e rindo das lembranças. E pensando: ser professor pode ser legal.

Todos os alunos lembram: “aula de hoje: eu queria ser legal”.



PS: É uma pena que eles não podem saber d` A Mina do Cara.

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09/12/2011

Conversa sobre sexo entre pai e filho

— Filho.

— Oi pai.

— Filho...

— Fala.

— Meu filho... é...

— Que foi?

— Ô meu filho!?

— Fala logo pai.

— Então filho... é...

— Que foi, aconteceu alguma coisa?

— Não... é que eu... eu... queria conversar com você sobre...

— Fodeu! – pensou. Fala...

— É que eu queria... queria saber uma coisa...

— Pegou! – pensou.

— Você e a Rita... vocês... usam camisinha?

— Claro pai! – respira aliviado.

— Então tá bom... é que sua mãe... tá bom... era isso... vou tomar meu banho pra me arrumar.

— Vai sair com a mamãe?

— É. Nós vamos ao jantar.

— Tá bom. Vou tomar meu banho também. Vamos assistir a um filme aqui.

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28/11/2011

Entre querer e ser

Trabalhar como professor faz com que diariamente eu tenha obrigações chatas a cumprir, como por exemplo, aplicar provas e dar notas. Essas duas são as mais inconvenientes. Para os alunos, é claro, é um pouco pior – do ponto de vista deles. O problema maior cai para mim, professor, uma vez que preciso conter os ânimos e ensinar o conteúdo.

Vira e mexe um aluno diz: ah, eu não quero fazer isso. E sempre eu respondo: pois é, a vida é assim mesmo, temos que fazer sem querer. Evito apelar para as notas. Eis um grande problema, os alunos é que se obrigam a fazer para receber pontos. Se não vale ponto eles não fazem. Eu detesto isso. Só que as crianças estão condicionadas a viverem assim, e o que tento fazer é mostrar que existe algo além da recompensa por pontos.

Com dez ou onze anos a pessoa já assume que não faz nada sem que receba algo em troca. Isso me assusta, e creio que não só a mim. O que é possível esperar de uma pessoa que sequer faz uma atividade para aprender; interessante que favores nunca me foram negados.

Está certo que atividades escolares não são prazerosas, agora, nem tudo o que fazemos é para sentir prazer.

Imaginar que em sonhos sou um guitarrista de rock que vive uma vida boa cheia de criatividade musical, com solos que fazem as plateias delirarem, bases consagradas, fãs pelo mundo. Quem nunca quis ser guitarrista e poder trabalhar no palco, solando em músicas intermináveis, viajando pelos acordes como se estivesse em outro mundo, deslumbrando visuais maravilhosos enquanto encanta uma alma pelos ouvidos.

A vida também não é fácil assim, uma vez que o próprio guitarrista passa horas e horas montando um solo, construindo harmonia que realmente vire música; e enquanto ele está acompanhando aquela onda maravilhosa, na verdade, está ligado é na música, não podendo sair do seu lugar. O fã não perdoa deslize.

É difícil perdoar deslizes propositais, mas perdoamos, somos perdoados. A vida tem dessas coisas, nós falamos que não vamos fazer e fazemos; prometemos nunca mais falar aquela besteira, e o que acontece, falamos. “Essa vida bem que poderia nos ensinar algo”, eu ouvi esses dias. Fiquei com essa frase na cabeça: “essa vida bem que poderia nos ensinar algo”.

E aprender? Quem está disposto a aprender? Já pensou se juntarmos o que a vida tem para ensinar com nossa capacidade de aprender. Onde eu iria? Onde você iria? Já pensou o que seria possível aprender...


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22/11/2011

Olha a merda que deu (12)

Quando conheço uma mulher eu sempre presto bastante atenção ao que ela fala, sempre interessado no assunto, pergunto algumas coisas, faço umas piadinhas, busco informações sobre ela. Dessa vez demorou a cair a ficha.

Logo que nos conhecemos pensei, essa vai dar rock. Saímos, conversamos, bebemos, ficamos algumas vezes. Era sempre muito bom sair com ela. Estava sempre linda, na maioria das vezes vestia vestido curto, usava argolas – eu adoro mulher com argola.
Seus cabelos cacheados presos aos meus dedos, nossas bocas ligadas, maravilhoso!

Poucas vezes conversávamos assuntos sérios. E uma das vezes ela me disse que quando mais nova não gostava dos meninos que começavam a gostar dela, logo arrumava um jeito e saía à francesa.

Foi a primeira vez que transamos, o dia dessa conversa. Eu nem pensei nisso, nem lembrava que ela falou isso. Fui lembrar depois, agora pra falar a verdade. Só agora eu lembrei.

Nesse dia eu entreguei a ela um poeminha que escrevi, todo apaixonado. Eu não queria dizer que nos amaríamos o resto da vida, não queria dizer que seríamos um casal de propaganda de margarina com dois filhos lindos e um cachorro andando pela casa. Não queria dizer nada além do que estava escrito. Nada além daquelas cinco palavras que escrevi.

Só agora eu percebi por que ela arruma desculpa toda vez que a convido para sair. Leitor de livros policiais tem disso, não para um minuto sequer de desvendar o assunto.

Só agora eu vi a merda que foi escrever “eu sou apaixonado por você”.

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15/11/2011

Crônica pública de amor

Meu amor, finalmente consegui sentar para escrever uma crônica de amor para você. Fui obrigado a sair de casa com um caderno na mochila, entrar por caminhos desconhecidos até chegar aqui e começar a escrever. Não acredito em quem escreve sentado diante do computador. Aqui sim posso ser sincero.

Tem algum tempo que quero dizer o quanto amo você, o quanto sua presença é boa para mim. Amar não é fácil, e querer ser amado talvez seja o maior sonho das pessoas. E este sonho você realizou. Amar você é bom demais! As dificuldades de relacionamento viram sorrisos em momentos como agora, que estou só no meio do mato com um caderno e uma caneta.

Até decidir escrever uma crônica, escrevi inúmeros versinhos apaixonados, daqueles que só mostro a você, e mesmo assim escondido. Fico pensando em uma trilha sonora para nosso amor e não consigo terminar de colocar músicas e mais músicas. Talvez tenhamos que passar um fim de semana numa pousada – daquelas que tanto gostamos – para ouvir todas essas lindas músicas que representam nosso amor.

Só tem um problema, trouxe um caderno pequeno e já arranquei inúmeras folhas nas tentativas de encontrar as mais belas palavras. E com isso só tenho a dizer que estou chegando à última linha do caderno, e para ser bem sincera minha crônica pública de amor, não posso terminá-la em frente ao computador – isso seria matar o romantismo. Já que estou sozinho e no meio do nada, vou parar de escrever e gritar o meu amor por você.


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11/11/2011

11/11/11

Hoje completo 29 anos. Dois mais nove, onze. Então no dia onze do onze do onze somando os números da minha idade dá: onze. E não é só isso. Nossa família mudou-se para Foz do Iguaçu no dia 09/02. E pra piorar a situação, voltamos para BH no dia 09/02, agora em 2007. Não tem como negar que a coincidência do número onze está diretamente ligada a minha pessoa. Só falta o Mano me presentear com a camisa 11 da seleção – a mesma de Romário.

Pelos meus planos hoje estaria lançando meu primeiro livro, A comédia da vida alheia. Mas infelizmente não deu. O livro está pronto, só falta pagar o editor, e é isso que impede a publicação. Ano que vem sem falta eu publico meu livro. Só terá um problema, meus alunos não podem ler meu livro, contém algumas palavras que os mais velhos juram que são impróprias às crianças.

E por falar em crianças, a semana toda os meninos comentam comigo, ei Márcio, tá chegando hein, 11/11/11. Eu fico bem feliz em saber que os alunos gostam de mim, tanto como professor em sala como professor no pátio. E nem preciso dizer que prefiro mil vezes o pátio, né. Ali eu brinco com todos, pego alguns pelo colo, viro de cabeça para baixo, pego outro e levando e ele acredita que voa como o super-homem. É muito legal trabalhar com crianças.

E meu presente de aniversário veio adiantado por parte da escola. Ontem foi-me oferecido mais quatro turmas para o ano seguinte. Entrei em agosto deste ano, e em novembro me oferecem mais turmas, e essas turmas são de alunos especiais. E eles são os alunos mais legais de trabalhar na escola. Às vezes fico pensando, eles são especiais porque não conseguem esconder a hipocrisia, só pode.

E fora da escola eu fico bem feliz em saber que cultivo amizades de longa data, amigos novos que sei que posso contar, e espero que amizades futuras venham para ficar. Afinal, sem amigos é que não dá para viver bem.


PS: Então é isso meus amigos leitores, eu fico distante dos blogs porque trago trabalho para casa, tenho sempre provas e trabalhos para corrigir; sem contar que a net aqui não é das melhores. Um beijo e um abraço e nunca se esqueça: A Mina do Cara te ama!


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01/11/2011

As mulheres e o cu

Só vou chupar o dia que você me der ele, eu disse a ela.

Ela fala que não, sempre diz que não é para passar o dedo, às vezes para nem chegar perto. Não sei qual o problema, quando estamos abraçados, em silêncio, eu passando o dedo lá e ela suspirando no meu ouvido. Ela muda a respiração.

Fica nessa frescura.

Fiz sacanagem um dia com ela. Comecei a tirar sua blusa bem devagar, lentamente ia tirando peça por peça, blusa, sutiã, calça, calcinha, isso com beijos e mais beijos, bem devagar. Tirei seus brincos, soltei seus lindos cabelos encaracolados, deixei-a nua, lindíssima. No escuro aquela pele era a coisa mais linda do mundo. Beijei dos pés a cabeça, literalmente, só não cheguei perto do cu.

Fiz de sacanagem.

Ia com a língua lá pertinho, sentia sua força para eu chegar lá e passar a língua em seu cu. Ela ficava louca, a cada força que fazia eu ia para outro lugar.

Voltei com a língua e fiquei um tempo ali, chupando aquela boceta gostosa. Molhada, quente.

Se eu quisesse era a hora.

Subi em cima dela e comecei. Fomos parar com ela de quatro. Depois deitada comigo por cima.

Peguei a garrafa de vinho e ficamos bebendo e ouvindo música, bem baixinho.

Deitei-a de bruços e comecei a massagem.

Meia hora depois, ela encharcada, eu roçando o pau duro nela, falando e beijando seu ouvido, aquele calor na cama, suados, molhados, eu viro e falo, quero comer seu cuzinho. Ela suspirou fundo, até mais do que das outras vezes, e disse, só namorando.

Fica nessa frescura.


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24/10/2011

Que Brasil é esse?

Nosso país é mesmo avacalhado, aqui ninguém respeita regras, leis, horário, professor, pedestre, deficiente. A cada dia que passa fico mais assustado com a cidade que vivo e com o país que vejo pelos noticários. Será que vamos passar vergonha na Copa de 2014?

Vira e mexe vejo por aí algum escândalo de corrupção, pessoas acusando outras disso e daquilo, uns provando e outros se contorcendo para escapar impune. E quando percebemos, os malabaristas conseguem sair elesos devido o tanto de tombo nos treinos. Aí está o segredo, nos treinos.

A escola é onde as crinças crescem. Com educação as pessoas desenvolvem melhor. Não estou falando em educação formal de escola, com regras e mais regras para decorar. Falo em educação de verdade, aprender a lidar com diferenças, aprender a respeitar regras, horários, tempos diferentes. E em nosso país, o Brasil da Copa de 2014, a escola não reprova o aluno. Você sabia que escolas estaduais não podem reprovar alunos que logo aparece alguém da Secretaria e diz assim: olha, esse aluno precisa passar de ano, a escola precisa de verba, e com o número elevado de reprovações nossa verba é baixa; passe-os, todos quanto puder.

E assim vamos ensinando que pelas coxas tudo se pode. E essa lição todos aprendem com muita facilidade.

Logo cedo ouvi falar bem da Lei Seca, que flagrou duzentas e tantas pessoas no final de semana. Tudo bem, agora, quantas pessoas beberam e dirigiram no final de semana? Vamos chutar baixo e dizer cem mil. Isso mesmo, cem mil embrigados ao volante e pegaram duzentas e tantas pessoas. E a mídia divulga como se fosse sério. Deveriam divulgar quanto – por fora, no caixa-dois – as empresas de bebidas pagam para não haver blitze.

Mas isso, no país do Ricardo Teixeira, não acontece. No país onde se constrói mais um estádio de futebol com verba pública para enriquecer pilantras oportunistas. Leitor sensato, me responda, por favor: se não há verba para melhorar a educação, a saúde, a segurança, para as estradas, para criar fontes renováveis de energia, como há verba para construir outro estádio de futebol?

Estou pensando em fazer um bolão para arriscar um palpite de quanto o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, lucrará com a Copa de 2014. Quinhetos milhões é chutar baixo? E você ainda pode escolher a moeda.

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17/10/2011

Olha a merda que deu (11)

Amor, deu zebra, vou preparar prova até tarde e amanhã de manhã dou aula e à tarde, pra piorar, tem reunião de pais – já viu a bosta de fim de semana que me espera.


Tomei banho, troquei de roupa, peguei o carro e saí. Já fui na barca ouvindo um som, bebendo uns goles – vodca com energético. Só se eu fosse idiota que ficaria em casa por conta de nota de aluno, eles que se danem, não me incomodam o tempo todo, então, agora é minha hora. Nota de comportamento: zero.

Dei sorte, uma vaga bem na porta. “Tamo de olho aí, chefia”, já disse o flanelinha. Tudo bem, seu dia de sorte se eu sair acompanhado, fechado? “É nóis”. Já encontrei o Bodão tomando uma gelada, fui pegar uma para ver se ia valer a pena entrar.

Hoje é meu dia, e amanhã também. Costumo chamar de “dia da risada”, o dia da entrega de boletim. É realmente muito bom esse dia. Tomo um porre antes, chego amanhã de ressaca, e escuto os pais a falarem merda na cabeça e eu não falo nada, nem ali estou. E saio na hora do almoço, já emendo um boteco e não saio mais, até depois do futebol.

Encontro aluno em todos os lugares, shoppings, cinemas, supermercados, rua, e uma coisa que eu detesto é encontrar pai e mãe de aluno – puts, isso sim é um saco.
Já com duas garrafas na mão, bebendo e olhando umas mulheres desfilarem, pensamos, é aqui mesmo. Odeio e sempre odiarei balada sertaneja, mas eu vou. Enchi a cara antes de entrar e fomos. Talvez os únicos que não cantavam as músicas.

Logo que entrei fui ao bar, sabia que com a mão vazia seria mais difícil passar o tempo ali. Chegando ao bar vejo uma mulher linda, não tinha cara de quem gosta dessas merdas. Antes que o barman perguntasse eu disse, por favor, uma pra mim e outra pra ela. Ficamos mudos, sem saber o que falar. Quando a bebida chegou propus um brinde. “Um brinde?, nem te conheço”, e eu disse, justamente, um brinde a você!

Começou um beijo gostoso, devagar, com carinho. Enquanto beijava, eu apertava seu corpo de encontro ao meu e sentia os seios, a pulsação. Está bom demais para ser verdade, foram as primeiras palavras que disse a ela. “Esse lugar é um lixo, conheço um lugar muito bom, vamos?”. O que será que respondi?

Chegamos e realmente era um lugar muito legal, era um sítio com uma lagoa cheia de pedalinhos iluminados, uma galera curtindo uma festa alucinante. Me fala uma coisa – eu disse a ela – com uma festa dessas, o que você estava fazendo naquela merda de lugar? “Talvez buscando o amor da minha vida”.

Esse rosto não me é estranho, lembro dela de algum lugar, não é possível. Não bebi nada de mais, não posso ter alucinação, mas eu realmente lembro desse rosto. Ela está vindo com dois copos e vou perguntar seu nome, vai que me lembro. Oba, o que é isso? “Uma mistura especial da galera aqui, tem um monte de coisas, bebe aí, é uma delícia.” Sabe o que pensava aqui, nem nos apresentamos, eu sou o Pedro. “Eu sou Alice, e este é o meu mundo da fantasia...”

Saímos correndo pelo parque até o pedalinho, entramos em um e fomos para o meio da lagoa. Realmente é uma onda muito louca, Alice. Só nós dois aqui, isso só pode ser um sonho. Alice, isso é um sonho? “Veja você mesmo...” Abriu minha calça. Não é um sonho, é pura realidade. Amanhã terei muitas histórias para contar no boteco, com certeza, se terei...

Saí da festa com o sol nascendo, muito louco, mas muito louco mesmo. Deixei Alice em casa, fui pra casa, tomei banho, café, comi um pão com manteiga, mais um gole de café e fui pra escola dar risadas.

Pisei na escola, primeira pessoa que vejo: Alice e sua filha, Alice (a verdadeira) – a Alice que eu deixei de recuperação de sacanagem.


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13/10/2011

Pri

Por que vocês, mulheres, não acreditam que somos capazes de terminar sem termos motivos? Preciso entender isso. Tem horas que realmente não pensamos como deveríamos, eu sei, mas sabendo disso você deveria chegar a lógica de que não pensamos também em momentos difíceis. Pô, você chegou de viagem e não quis fazer amor! Como?

Era tudo o que esperava com sua chegada. Nós nos completamos, somos um para o outro como a abelha é para o néctar, nós somos Lennon e McCartney. E o tanto que nos amamos ouvindo Beatles, cantando um para o outro, desejando amar eternamente, viver juntos eternamente, rodar o mundo todo juntos.

Quantos sonhos não sonhamos juntos, quantas viagens não planejamos, quanto amor não doei. Aprendi a amar amando você, meu amor. Todos os dias eu acordo e penso, ainda não consegui tirá-la da minha cabeça. E eu acredito que amor é isso mesmo, essa loucura que juramos saber controlar. Alguns escrevem, outros cantam, poucos dedicam o amor em palavras – como faço.

Reli sua carta inúmeras vezes buscando a palavra amor e não encontrei. Busquei palavras indicando que ainda me ama, que deseja uma resposta. E nada, nem uma palavra. Prometi não escrever novamente. Prometi. Assim como prometi que não escreveria nem uma única vez – e se não me engano essa é a décima vez que escrevo. Acho tão romântico escrever uma carta de amor e enviar a Paris.

Já sabe quando volta?

Um beijo, eu te amo, tá...


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