29 de jan de 2015

Épocas

Hoje na biblioteca vi um jovem cabeludo enrolando as pontas do cabelo e pensei, uma época era eu assim, cabeludo, contra todos e contra tudo.

Era uma época boa, minhas preocupações não ultrapassavam meu umbigo, ou o limite do meu pensamento.

Nessa mesma época eu precisava escolher a profissão da minha vida. Eu queria ser poeta e escritor, mais nada. Pensava que só precisaria ler livros e escrever. Época inocente.

Um tempo atrás eu queria ser maldito, invisível, publicar meus livros e ficar no meu canto, longe, afastado. Talvez hoje eu seja, mas porque não vem nenhum repórter até mim.

Lembro perfeitamente da época que minha conta bancária não ultrapassava dois dígitos; depois ela chegou a três e não saía; quando chegou a quatro pensei estar rico. Pobre de mim. Mal sabia que entre quatro e cinco dígitos a diferença é a conta a pagar.

Houve uma época que eu era aluno e odiava a escola; chegou o tempo de professor e eu mantive o sentimento. A única esperança que alimento, em relação à escola, é que ela sai da época das cavernas e viva o presente.

Em determinado momento da vida queria escrever em jornais e revistas, e também ser revisor. Eu ainda não sabia como é vida midiática. Depois não quis saber mais disso, julguei tudo e todos e deixei a ideia de lado.

Deixar de lado boas ideias é constante na vida. Lembro da época que queria tocar violão perfeitamente sem precisar estudar horas a fio. Pobre de mim.


Fico lembrando das épocas que vivi e imaginando as que virão.

Um comentário:

Helena G.S.R disse...

Nada, realmente, permanece igual...
:)