20 de mai de 2014

Contatos

Logo que voltei a morar em BH (2007), eu estava decidido a ficar quieto, na minha. Já havia optado pela profissão de escritor, e queria ficar no estilo dos meus escritores preferidos, Rubem Fonseca e Dalton Trevisan. Ou seja: longe dos holofotes.

Conhecia as pessoas e não trocava telefone, anotava e-mail, nada disso. Vez por outra eu anotava um telefone, mas só de quem me interessava mesmo. Nunca gostei desse negócio de ter mil contatos na agenda.

Com o passar dos anos fui me "socializando", criei uma conta no Facebook, postei fotos e algumas outras coisas. Paralelo a isso, meu trabalho como professor e revisor de textos pelo Certa Palavra ia sem muita publicidade. O mínimo de publicidade me trazia o mínimo de dinheiro, mas eu não queria saber de exposição.

Até que decidi que o Certa Palavra deveria ter publicidade. E não é que o trem virou! Hoje faço propagandas nas redes sociais e nas ruas. Toda semana vou nas escolas e nos cursinhos panfletar e atrair alunos para os cursos.

Sempre do meu jeito, sem grandes alardes, sem me promover como o grande-foda-do-pedaço. Nisso, consegui firmar parceria com um conhecido cursinho de Química.

Até que fui indicado a fazer a revisão do próximo livro do professor Pachecão. Para quem não conhece, o Pachecão é o professor que revolucionou a maneira de dar aulas nos cursinhos, com música, festa em sala; gravou CD com as músicas de física e mais uma porção de coisas.



Enfim, quando comentei com alguns amigos que estava trabalhando no próximo livro do Pachecão, várias pessoas me disseram, que bom, ele é um ótimo contato, pode arrumar uma boa indicação pra você, ele pode te colocar num cursinho bom, ele pode isso, ele pode aquilo... Engraçado, ninguém comentou nada a respeito do meu trabalho estar dando os frutos que planto há anos, ninguém valorizou meu trabalho, apenas os contatos que ele poderia me indicar.

Os contatos que tenho são classificados assim, por mim: familiares, amizades, profissionais. Família e amigos são sempre bem-vindos; os profissionais são duvidosos, sempre. Muitos buscam desclassificar meu trabalho apenas porque não sigo o padrãozinho que está por aí; outros firmam parcerias que nunca dão certo; tenho "parcerias" que só servem para mandar trabalho e pedir favor, mas pagar que é bom nada. Isso é parceria?

Quantos amigos se fizeram parceiros e na hora da grana sumiram? Quantos se fizeram de amigos e difamaram seu trabalho? Quantos contatos você tem na agenda que não servem para nada?

Todos os dias busco fazer parceria e na grande maioria escuto "não" eufemizado. Na terra dos eufemismos e meias verdades eu caminho ouvindo "nãos", vendo pessoas me diminuírem para supervalorizar talentos duvidosos. Mas isso não me importa mais. Minha meta é outra.

Minha meta é trabalhar para transformar esses "nãos". Tudo nessa vida muda. Um dia, e esse dia virá, essas pessoas que hoje dizem "não" sem conhecer meu trabalho, virão me procurar.

Escreva o que estou escrevendo. Ficou esquisito, né? Mas escreva mesmo assim.

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