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25 de jan. de 2014

Olha a merda que deu (19)

O fim dessa história deveria ser eu me tornando professor de português para crianças, mas não, isso é só o começo.

Formei em letras sem querer, tentei seguir carreira acadêmica, mas a academia é lugar para pessoas medíocres - é o único lugar que esses professores de merda podem achar que são alguma coisa.

Enfim, virei professor de crianças. Fora a vontade de estrangular um por um todos os dias da semana, o que me mais me irrita, fora ver a gorda da coordenadora todo dia, é falar com os pais dos alunos.

Ser professor de português é a coisa mais idiota que uma pessoa pode ser na vida. Você não ensina quase nada de útil, só regrinhas gramaticais que as crianças nunca vão usar, a não ser para responder nas provas.

O que mais me tira do sério mesmo é escolher livros para essas crianças. Nunca pode ser livro bom, a cada ano o livro deve ser mais idiota porque a cada ano o nível cai um pouco. Eu tento um pouco dos bons cronistas, mas o máximo que consigo é um do Verissimo por ano.

E os meninos ficam me fritando para eu passar esses livros de vampiro, bruxos, Harry Porter, o menino para-raios, e as meninas pedem aqueles romances adolescentes idiotas. E eu sempre tenho que ler essas porcarias. Passo o ano lendo essas merdas, e o pior, corrigindo as besteiras que as crianças escrevem nas provas. Eles pedem os livros, acabo escolhendo esses livros e um ou dois leem, o resto assiste ao  filme ou pega o resumo na internet.

Uma segunda-feira, na entrega das notas da prova do livro, mais nota vermelha que tudo, com raiva e ressaca - passei o domingo corrigindo essas provas no Zé da Gelada - cheguei na sala com vontade de pegar uns três pelo pescoço e falei, vocês pedem pra ler essas bostas, não leem nada e ainda tiram essas notas ridículas, bando de... Eu deveria passar pra vocês um Rubem Fonseca.

Uma menininha nerd disse, quem?

E eu, com raiva, repeti, Rubem Fonseca, mas não é pra vocês, vocês não entenderiam nada dele.

Uma semana depois essa menina aparece com uma coletânea de contos dizendo, já li quase todos, professor, tem umas histórias que não têm fim, né?

Menina, eu disse, guarda na mochila esse livro, só abre daqui uns dez anos.

No dia seguinte recebo da mesma menina um bilhete de sua mãe, e bem na hora que fui ler a inspetora me chamou para uma reunião com a diretora,a coordenadora e uma mãe.


Olhei pra menina e pensei, quem eu estrangulo primeiro? 

21 de out. de 2013

Olha a merda que deu (18)

Na verdade, eu não acrescento nada na vida dela, não tem motivo ela me querer em casa. As únicas coisas que faço, e não é todo dia, é lavar a louça, varrer, e de vez em quando passar o pano na casa. O banheiro lavo contrariado.

Ela chegou e disse, vai passar a semana na casa do Peterson, não é lá que você gosta de ficar? Então, vai...

Na mesma hora arrumei minhas coisas, três camisas, quatro cuecas, três pares de meia, uma calça, o violão e fui passar sete dias no exílio. Sete dias de férias. 

E você sabe de uma coisa, até que é bom tirar férias da esposa. Tem hora que frita. 

O problema é um momento como esse, estou aqui, chapado, com o violão, um papel amassado e um lápis quase sem ponta. Já escrevi um poema pra ela e agora estou tentando musicar. 

Você vai me dar razão, escuta só. Um dia eu estava lavando a louça depois do almoço. Ela olhando e eu lavando. Ela decidiu tomar sorvete. Tudo bem, ela pegou o pote e serviu sorvete. E eu lavando a louça. Ela serviu para ela e para mim. 

Faltava apenas uma panela quando ela despejou na pia o pote e a colher. Tudo bem, lavei. Ao terminar de lavar a louça, viro para pegar sorvete e o que vejo? 

Ela tomando o meu sorvete e falando, com a boca meio cheia, uai amor, você demorou... 


Eu não arrumei briga e nem nada, apenas peguei e tomei o sorvete. Agora, se faço isso come ela é divórcio na certa. 

Eu sou bem tranquilo, não brigo à toa. Acho que nem ela, na real. Eu já nem sei mais de nada, tô muito doido pra pensar essas coisas. Amanhã acaba minhas cuecas limpas. E aí?

Será que volto e peço desculpas, mesmo  não sendo culpado de nada.

O pior não é isso. Eu podia estar lá deitado com ela mas não, estou aqui nesse colchão no frio, um frio danado, ouvindo o ronco do Peter. 

Agora não é hora de pensar nisso, tenho que me concentrar no caso das cuecas. Só uma cueca limpa e mais três dias.

18 de jun. de 2013

Não é por 20 centavos

Acordou! O gigante povo brasileiro resolveu juntar toda sua ira e sair às ruas unidos, em prol de uma causa mais que justa.


Ninguém aguenta mais essa roubalheira, esse descaso, essa falta de vergonha na cara. Nossos governantes desviam verbas da saúde, da educação e transformam em luxuosas mansões, verdadeiros palacetes.

As rodovias estão ao léu, milhares de brasileiros são mortos todos os feriados prolongados e ninguém faz nada para melhorar a situação. Só falam em privatização. Nós pagamos os impostos destinados às estradas. E para onde essa verba vai?

Todos os anos, pelo menos duas vezes por semestre, professores concursados saem às ruas exigindo melhores condições de trabalho, cobrando dos responsáveis as promessas. Mas nada é feito. A classe dos professores é tratada com desprezo. Como um país quer ser grande sem ter educação de qualidade? Como ser de primeiro mundo se ainda somos analfabetos?

As pessoas estão nas ruas porque ninguém aguenta ver tanta fraude, tanto roubo, tanto descaso. Os políticos roubam e continuam livres. Que o digam Renan Calheiros, Sarney, Collor, a bancada petista, a bancada dos evangélicos. O congresso brasileiro está podre! É preciso retirar a podridão de lá.


Os médicos estão insatisfeitos com as condições de trabalho. Os hospitais público são precários, as condições são precárias, os pacientes estão morrendo nos leitos. Tudo isso vira charge, vira tirinha em jornal, mas nada acontece aos que promovem tal estado.

Os responsáveis por tudo isso agora estão em seus gabinetes, tranquilos, com segurança armada, portas e vidros blindados, telefonando para a imprensa e dizendo o que deve e o que não deve ser noticiado.

Será que vaiar a presidente foi questão da "direita burguesa"? Exigir qualidade na educação, na saúde, no transporte é rivalidade política? Claro que não. Os que elegeram a Dilma estão protestando - e os que a elegeram e não estão deveriam estar.

É claro que o Brasil não terá transporte público de qualidade, não terá metrô para aliviar o trânsito, a poluição. E não terá por um simples motivo: de quem são as frotas de ônibus que circulam pelo país? São frotas particulares, alugadas ao estado. It´s business baby...

Estamos cansados dessa safadeza, dessas pessoas podres no poder. Não é possível que uma pessoa esteja satisfeita com a situação. O roubo aos cofres para construir estádio de futebol, atender os padrões Fifa. Por que não temos uma educação no padrão Fifa? Por que não temos hospitais no padrão Fifa? Por que não temos um Brasil com padrão Fifa? Vale lembrar que a Fifa passou por problemas recentes ligados a corrupção. E se você acertar quem comandava a roubalheira por lá ganha um pirulito e um nariz vermelho.

Isso mesmo, a roubalheira da Fifa era comandada por um brasileiro, e este brasileiro colocou seu então genro no poder do futebol brasileiro, que por sua vez roubou mais do que todos os políticos juntos. E o resultado é o que vemos hoje, um povo cansado dessas máscaras, dessas fraudes, desses roubos, dessa impunidade.


O sonho do brasileiro é a punição ao político ladrão.

13 de mar. de 2013

Jack Esparro em Olha a merda que deu! (17)


Não sei como não saí dessa balada carregado pelos amigos, com os olhos roxos, os seguranças ligando para a polícia. Essa noite o bicho pegou!

Era sexta à tarde, esperando pelo happy hour, olhava para o relógio a cada cinco minutos e pensava, essa noite o bicho vai pegar! Nada poderia dar errado. Pegaria a Nanda com certeza. Sou apaixonado por aquela mulher.

Fomos tomar chope antes de ir pra balada, e eu mais quatro amigos, tomamos mais de quarenta canecas de chope. Depois do décimo eu disse aos amigos, essa noite o bicho vai pegar, eu e a Nanda vamos nos amar.
Todos riram e disseram, você vai apanhar igual cachorro de rua. Respondi, por isso estou bebendo muito, para nem sentir. No fundo eu falava isso achando que nada aconteceria.

Chegando eu vi uma fila enorme pra entrar, bêbado nenhum gosta de ficar em fila. Mas ficamos, todos rindo e falando alto. Contei uma piada de sacanagem e o cara da minha frente falou, só porque você não tem mulher fica falando essas merdas aqui, respeita. E nisso emendei, fica na sua seu corno manso.

Ele me deu um soco de raspão, consegui desviar e meus amigos separaram. Fui até o segurança e falei, está vendo isso, o cara me deu um soco e eu tenho que ficar na fila ao lado dele, libera aí. O segurança me encarou e disse, vai para o fim da fila que ele não perturba.


Voltei ao meu lugar na fila e entramos. Fui direto pegar uma gelada. Lugar cheio, todo mundo se acotovelando para pegar bebida, para andar.

De repente meu coração dispara, era ela, Nanda. E estava nos braços de alguém. Era ela, de costas para mim, abraçada. Aquelas costas inconfundíveis, aquele cabelo inconfundível, aquela musa inconfundível.

Não aguentei e fui lá, tirar satisfação. Cheguei tirando-a dos braços dele, dando um soco na cara dele, puxando-a pela mão gritando, eu tenho uma coisa pra falar. Ela relutava e eu a trazia e gritava, eu tenho uma coisa pra falar, vem comigo Nanda.

Ela empacou, soltou minha mão, me deu um tapa e disse, eu não sou Nanda, não te conheço, some daqui pra não morrer te tanto apanhar seu babaca! Ela nem terminara de dizer babaca e eu já estava levando um soco na cara, do cara da fila. Tonteei e nisso veio o cara da mina e começou a me bater. Eu nem sei se foi soco ou chute. Depois que eu apanhei bastante que apareceu um segurança e separou.

Sentado numa cadeira na porta da balada, olhando para o chão, louco para não aparecer um conhecido e perguntar o que aconteceu comigo. Pensando, olha a merda que deu.

Aparece em minha frente um pé de mulher, com as unhas pintadas, e para na minha frente. Ouço, o que houve Jack? Amor! O que houve foi excesso de amor! Fiquei cego, confundi, troquei as bolas, sei lá...
Jack, sou eu, Nanda; vamos, te deixo em casa.

Fui.

Se isso não fosse um sonho eu já estaria no lucro.

Fui.

17 de jan. de 2013

A comédia da vida alheia



Apresento a vocês meu primeiro livro, A comédia da vida alheia.

Sabe aquela piada que saiu na hora errada? O riso não contido?    A comédia da vida alheia é isso, e muito mais. É também aquele segredo contado no fim da festa.

Tem a história da gordinha que tenta a sorte em uma agência de modelos, tem a do casal que namora na praça até que... Não posso contar o final. Posso contar que tem crônicas sobre pais e filhos que são ótimas. Crônicas de sala de aula, histórias de corredor, o fio da meada que nos faz rir das desgraças alheias dentro de um consultório - pra ficar ainda mais íntimo.

Agora, o que mais tem é história de amor. Uma coisa eu garanto, o final é imprevisível.

E histórias engraçadas, tem? É claro, e o leitor é advertido: este livro não é indicado para pessoas puras, ingênuas, incapazes de pensar besteiras, politicamente corretas. A comédia da vida alheia é aquilo que você tem vontade, mas não fala.

Lançamento também e-book.

Foram publicadas inúmeras crônicas do livro aqui na A Mina do Cara. O estilo é o mesmo. Quem conhece confia.





Compre o livro aqui. Ao comprar o seu, você ganha da A Mina do Cara um exemplar para presentear alguém. 

A Mina do Cara te ama - hoje mais do que nunca!

14 de nov. de 2012

Olha a merda que deu (15)


Antes de mais nada, é uma história verídica. Com todos os ingredientes. Amor, paixão, tesão, traição, e no fim, surpresa.

Aconteceu com a amiga de uma colega de trabalho, ouvi no intervalo essa história. É o seguinte, uma mulher namorava há anos e era louca pelo namorado.

As amigas sabiam que os dois acabariam casando e fizeram uma jura, “vamos arrumar um stripper moreno pra mostrar pra ela o que é dar de verdade; não sei como vai se casar com japonês!”

Ficou noiva. Marcou data e convidou as amigas. Festa de gala. Como era de gala a surpresa que as amigas preparavam, ao mesmo tempo.

Prepararam festa surpresa, no sítio de uma das amigas. No começo eram só elas, bebendo e falando de sacanagem, o tempo todo falando de sexo. A noiva confessou, no andar da carruagem, que tinha apenas um medo em casar, “não dar pra outro homem na vida”.

Era tudo o que as amigas queriam, vê-la assim. Enxugaram uma garrafa de tequila, dose por dose. Então entra um moreno sem camisa, dançando, as amigam se retiraram e ficaram os dois.

Aquela loucura rolando, ela tirando a bermuda, passando a mão no corpo dele, dançando e rebolando. As amigas olhando, rindo. A dona da festa então chupando o moreno e dizendo, “isso que é pau, japonês”. E as amigas olhando, bebendo.

Foi no chão mesmo. Queria rebolar, sentar em cima e cavalgar. E foi assim que ela começou. Gemia e gemia, parecia que estava fora de si. As amigas olhando.

Aquela loucura de despedida de solteira. Prometeram não contar pra ninguém.

Cinco dias depois ela casou. A festa foi magnífica. O marido é filho de cônsul. Dizem que estava maravilhosa de noiva.

Passaram lua-de-mel velejando no Mediterrâneo.

Dois meses depois uma surpresa, grávida. As famílias ficaram felizes, jantaram para comemorar. O assunto no jantar foi, como será o filho de uma ruiva e um japonês? Ela é ruiva com sardas, ele japonês. Casal mais feliz impossível.

No dia do parto aquela expectativa. Nasceria de cesariana. Todos a postos, filmadora, câmeras, celulares.

Quando o médico retirou o neném fez-se um silêncio na sala. Nasceu um menino moreno. 

26 de mar. de 2012

Olha a merda que deu! (14)

Se eu achar quem escondeu meu sapato ontem eu mato. Tava atrasado, celular tocando e eu procurando o maldito sapato. E o pior não é isso.

Ontem à noite saí com os colegas do escritório. A pior merda que eu poderia ter feito. Fui porque o restaurante é bom – comida me atrai. E eu sabia que não teria com quem conversar, a não ser Cláudia, a gostosa do RH.

Quando fiz entrevista para a empresa não olhava outra pessoa senão ela, a entrevistadora. Tudo o que ela falava eu concordava, dava minha opinião, um sorriso tímido, mas não desviava o olhar. Depois ela me ligou para marcar outra entrevista. Só nós dois na sala.

A terceira entrevista foi marcada novamente por Cláudia, uma semana depois. Foi ela também quem me nomeou coordenador da campanha publicitária do novo produto da empresa. Era para ser diretor, mas algum mandachuva não deixou. Preferiu o filho na função.

Voltando à festa. Entrei e já sentei com meus colegas, todos felizes, comendo e bebendo nas custas da empresa. “Não há nada melhor”, disse Cléber, da advocacia. E nisso chega Cláudia. Acompanhada por um babaca. Só pode ser, não tem como não pensar isso. A gostosa da Cláudia trouxe o desgraçado para quem ela dá.

Comecei a beber e a olhar pra ela, discretamente. Organizei uma retirada para o puteiro. Todos foram. Só ficou no bar a Cláudia com seu namorado.

Todos bêbados e loucos na zona, não tinha como dar certo. Foi aquela loucura. Chegou uma hora que eu comecei a dançar com uma mulher e a falar, rebola pra mim, vai, faz igualzinho a filha do meu chefe faz, rebola bem gostoso. E eu gritava, pedia para os colegas também gritarem, mas ninguém entrou na minha. Então chamei outra pra dançar, abri a carteira, joguei as notas, uísque pra cima, rebolando com uma e passando a mão na outra e dizendo, vai, igualzinho eu vou fazer com as duas filhas do filho da puta do meu chefe.

Eu nem sei como cheguei em casa. Só sei que estou atrasado para essa reunião. Me ligaram uma hora antes do horário, eu nem consegui dormir, eu acho. Estou com ânsia, barriga pesada de tanta carne do churrasco, o uísque, a vodka. Saí de casa sem escovar os dentes, mal tive tempo de passar uma água no rosto, vestir esse terno amarrotado de ontem. Reunião de urgência.

Entrei na sala de reunião e estava toda a diretoria da empresa me esperando para começar a reunião.

“Bom dia senhores, desculpem-me convocar essa reunião sábado seis horas da manhã, os senhores não têm culpa de nada. Aliás, ninguém tem culpa de nada. Essa reunião não pode durar mais do que cinco minutos. Fiquei sabendo que ontem alguém disse que queria comer minhas duas filhas juntas, e simulou em duas prostitutas no bordel, e gritou para todos ouvirem, igualzinho vou fazer com as filhas do filho da puta do meu chefe. Eu só quero saber quem foi.”

23 de fev. de 2012

Olha a merda que deu! (13)

Carnaval na Bahia é foda! Literalmente...

Passei o ano todo buscando uma desculpa para terminar o namoro e nada convincente vinha à cabeça. Nada de útil. Passei os últimos seis meses pensando nisso, em como terminar antes do fim do ano.

Até que eu cheguei, sem saber o que ia falar, convidei-a pra comer num japa. Fomos como de costume. Sentamos de frente pra tevê, comemos olhando pra tevê, paguei com ela olhando pra tevê. Saímos com ela olhado pra tela do celular.

Sua única fala foi quando peguei o caminho de sua casa. “Não vamos ao motel hoje?”, perguntou. Não estou afim, respondi. Quero conversar.

Fomos em silêncio até sua casa. Comecei: nós já não estamos bem, não está mais legal... Aquele lenga-lenga. Até que eu não tinha mais o que falar e disse: não sou homem pra você, eu passo doze horas por dia malhando na academia, não leio nem uma hora por semana, e você só estuda e quer ter uma vida boa.

Ela foi e nós terminamos. Começou a festa.

Ano novo fui pra praia com os amigos. Uma curtição só. Beijava em média umas oito por noite. Só no axé, forró, funk. Foram quatro dias de festa. Afinal, eu mereço, trabalho o ano todo, malho o ano todo pra chegar e ficar só com uma mulher? É ruim hein...

Carnaval é onde eu me esbaldo! É pesado! Dessa vez fui de carro pra Salvador com mais três amigos, no carro; os outros foram de avião. Já tinha apartamento alugado, tudo esquematizado. Arrumei por uma ninharia; amida de ex tem que servir pra alguma coisa.

Chegamos na pilha, aquela zoeira total. Só mulher sarada querendo transar, isso é que é vida!

Entramos no prédio e era festa pura. Um monte de gringos entrando e saindo do nosso vizinho. E só entrava homem. Guardamos as coisas e fomos pra rua.

Festamos a noite inteira, bebendo e beijando. Cheguei no prédio umas sete da manhã, tinha acabado de comer uma gostosa no carro. Pisei no hall e vi um cara quase comendo uma mulher, e ainda pensei, que gostosa! Fiquei de canto olhando. Tirou o short dela, abaixou o seu, quando ele foi enfiar, ela olhou para mim. Olhou bem nos meus olhos e disse pro gringo, “me come gostoso”.

Gritei: para seu gringo desgraçado, ela é minha namorada. “Namorada?, de quem?”, ela disse.

Fui pra cima dele e ela entrou na frente. “Bate em mim, bate; você acha que só você pode curtir o carnaval na Bahia? Vá procurar suas negas.”

Com a gritaria apareceu gente de todos os apartamentos gritando “vai dormir, seu corno!”

22 de nov. de 2011

Olha a merda que deu (12)

Quando conheço uma mulher eu sempre presto bastante atenção ao que ela fala, sempre interessado no assunto, pergunto algumas coisas, faço umas piadinhas, busco informações sobre ela. Dessa vez demorou a cair a ficha.

Logo que nos conhecemos pensei, essa vai dar rock. Saímos, conversamos, bebemos, ficamos algumas vezes. Era sempre muito bom sair com ela. Estava sempre linda, na maioria das vezes vestia vestido curto, usava argolas – eu adoro mulher com argola.
Seus cabelos cacheados presos aos meus dedos, nossas bocas ligadas, maravilhoso!

Poucas vezes conversávamos assuntos sérios. E uma das vezes ela me disse que quando mais nova não gostava dos meninos que começavam a gostar dela, logo arrumava um jeito e saía à francesa.

Foi a primeira vez que transamos, o dia dessa conversa. Eu nem pensei nisso, nem lembrava que ela falou isso. Fui lembrar depois, agora pra falar a verdade. Só agora eu lembrei.

Nesse dia eu entreguei a ela um poeminha que escrevi, todo apaixonado. Eu não queria dizer que nos amaríamos o resto da vida, não queria dizer que seríamos um casal de propaganda de margarina com dois filhos lindos e um cachorro andando pela casa. Não queria dizer nada além do que estava escrito. Nada além daquelas cinco palavras que escrevi.

Só agora eu percebi por que ela arruma desculpa toda vez que a convido para sair. Leitor de livros policiais tem disso, não para um minuto sequer de desvendar o assunto.

Só agora eu vi a merda que foi escrever “eu sou apaixonado por você”.

17 de out. de 2011

Olha a merda que deu (11)

Amor, deu zebra, vou preparar prova até tarde e amanhã de manhã dou aula e à tarde, pra piorar, tem reunião de pais – já viu a bosta de fim de semana que me espera.


Tomei banho, troquei de roupa, peguei o carro e saí. Já fui na barca ouvindo um som, bebendo uns goles – vodca com energético. Só se eu fosse idiota que ficaria em casa por conta de nota de aluno, eles que se danem, não me incomodam o tempo todo, então, agora é minha hora. Nota de comportamento: zero.

Dei sorte, uma vaga bem na porta. “Tamo de olho aí, chefia”, já disse o flanelinha. Tudo bem, seu dia de sorte se eu sair acompanhado, fechado? “É nóis”. Já encontrei o Bodão tomando uma gelada, fui pegar uma para ver se ia valer a pena entrar.

Hoje é meu dia, e amanhã também. Costumo chamar de “dia da risada”, o dia da entrega de boletim. É realmente muito bom esse dia. Tomo um porre antes, chego amanhã de ressaca, e escuto os pais a falarem merda na cabeça e eu não falo nada, nem ali estou. E saio na hora do almoço, já emendo um boteco e não saio mais, até depois do futebol.

Encontro aluno em todos os lugares, shoppings, cinemas, supermercados, rua, e uma coisa que eu detesto é encontrar pai e mãe de aluno – puts, isso sim é um saco.
Já com duas garrafas na mão, bebendo e olhando umas mulheres desfilarem, pensamos, é aqui mesmo. Odeio e sempre odiarei balada sertaneja, mas eu vou. Enchi a cara antes de entrar e fomos. Talvez os únicos que não cantavam as músicas.

Logo que entrei fui ao bar, sabia que com a mão vazia seria mais difícil passar o tempo ali. Chegando ao bar vejo uma mulher linda, não tinha cara de quem gosta dessas merdas. Antes que o barman perguntasse eu disse, por favor, uma pra mim e outra pra ela. Ficamos mudos, sem saber o que falar. Quando a bebida chegou propus um brinde. “Um brinde?, nem te conheço”, e eu disse, justamente, um brinde a você!

Começou um beijo gostoso, devagar, com carinho. Enquanto beijava, eu apertava seu corpo de encontro ao meu e sentia os seios, a pulsação. Está bom demais para ser verdade, foram as primeiras palavras que disse a ela. “Esse lugar é um lixo, conheço um lugar muito bom, vamos?”. O que será que respondi?

Chegamos e realmente era um lugar muito legal, era um sítio com uma lagoa cheia de pedalinhos iluminados, uma galera curtindo uma festa alucinante. Me fala uma coisa – eu disse a ela – com uma festa dessas, o que você estava fazendo naquela merda de lugar? “Talvez buscando o amor da minha vida”.

Esse rosto não me é estranho, lembro dela de algum lugar, não é possível. Não bebi nada de mais, não posso ter alucinação, mas eu realmente lembro desse rosto. Ela está vindo com dois copos e vou perguntar seu nome, vai que me lembro. Oba, o que é isso? “Uma mistura especial da galera aqui, tem um monte de coisas, bebe aí, é uma delícia.” Sabe o que pensava aqui, nem nos apresentamos, eu sou o Pedro. “Eu sou Alice, e este é o meu mundo da fantasia...”

Saímos correndo pelo parque até o pedalinho, entramos em um e fomos para o meio da lagoa. Realmente é uma onda muito louca, Alice. Só nós dois aqui, isso só pode ser um sonho. Alice, isso é um sonho? “Veja você mesmo...” Abriu minha calça. Não é um sonho, é pura realidade. Amanhã terei muitas histórias para contar no boteco, com certeza, se terei...

Saí da festa com o sol nascendo, muito louco, mas muito louco mesmo. Deixei Alice em casa, fui pra casa, tomei banho, café, comi um pão com manteiga, mais um gole de café e fui pra escola dar risadas.

Pisei na escola, primeira pessoa que vejo: Alice e sua filha, Alice (a verdadeira) – a Alice que eu deixei de recuperação de sacanagem.


25 de jul. de 2011

Olha a merda que deu (10)

O pior dessa história nem é o fim. Talvez seja o começo, e como não sou de fazer firula, conto logo como foi que a merda aconteceu.

Havia saído de um relacionamento de anos; era namoro sério de dormir na casa dela, na cama dela, com a família em casa. Nós passávamos todos os finais de semana juntos. Sempre. E com o passar dos anos as coisas foram piorando. As brigas começaram a acontecer. Até que depois de muitas “idas e vindas” nós resolvemos terminar de verdade.

Comecei a sair com uma mulher linda. Nem eu acreditei que estava saindo com ela; sempre que termino um relacionamento fico um tempo sozinho, deprimido. E desta vez foi diferente. Comecei a sair com uma mulher linda; acho até que já falei isso.

E depois de um mês, mais ou menos, nós fomos ao motel. Antes era em casa, na minha e na dela; ou na rua. É no motel que as mulheres se soltam. E na hora que ela convidou já pensei, é hoje! Vou fazer barba, cabelo e bigode.

E o melhor, por conta dela. Escolheu uma suíte maravilhosa com sauna, banheira, três ambientes diferentes, discoteca, enfim, suíte presidencial. Ela levou duas garrafas de champanhe, eu levei uma garrafa de uísque e energéticos. “Ela vai ver o que é bom pra tosse, ou melhor, vai ver o que é ser comida de verdade”, foram meus primeiros pensamentos ao entrar na suíte presidencial.

Entramos e ela ligou a sauna, colocou a banheira pra encher, “até a metade, por enquanto”, ela disse. Abrimos as garrafas, bebemos um copo de uma vez só, cada um, e começamos a nos beijar, a tirar nossas roupas. Eu nem vi calcinha, nem tenho ideia de qual era. Começamos a nos lamber, a nos chupar, aquela coisa toda.

Depois fomos para a sauna. Tomamos banho, entramos na sauna, com os copos; tivemos que beber rápido, para não ficar ruim. Foi um fogo danado. Os corpos suando, aquela sauna ficou pequena. Foi uma das transas mais loucas que tive, de verdade. Eu não tinha ideia do que poderíamos fazer numa sauna.

Tomamos banho juntos. Outra coisa que nunca tinha visto e que adorei foram os sabonetes líquidos. Até então era só sabonetinho vagabundo que não dá espuma. Até o pente era melhor; claro que já tinha posto um no bolso da calça. Instalei meu pen drive, coloquei as músicas que nós gostamos e fomos para a banheira. Ela bebendo champanhe, eu uísque.

Conversamos, brincamos, rimos, estava uma alegria jamais vista em nossos olhos. Mais uma vez o clima esquentou e nossos copos esvaziaram, então voltamos a foder.

Molhamos tudo em volta da banheira. Fomos para outro ambiente. Minha garrafa já estava mais vazia do que cheia; a primeira dela já tinha ido. Enchemos os copos – esses copos grandes são ótimos –, fomos para a pista da discoteca e começamos a dançar. Seus olhos brilhavam, nossos corpos sempre roçando um no outro, aquele clima gostoso de sexo. Ela ajoelhou, começou a me chupar – ela chupa como ninguém – depois ficou de quatro, na pista de dança. Meti forte. Na hora de gozar tirei e coloquei bem no cuzinho, pra ela animar de dar logo esse cu pra mim.

A última seria na cama, ela disse. Já de manhã, as duas garrafas vazias, nós tínhamos o último gole de cada copo. Nos olhamos, viramos os copos, a deitei por baixo, dessa vez queria vê-la enquanto a possuía. Abri suas pernas com as mãos e comecei. Ela dizia, “vai, me come gostoso”. Isso me deixa louco, ouvir a mulher falando durante o sexo. E cada vez eu enfiava com mais força, mais tesão, e ela falando. Até que ela fala, “meu bem, vamos namorar, olha como está bom, vamos começar logo a namorar; vem, goza na minha boquinha, meu namorado.”

Como eu ia falar que não? Começamos a namorar...

13 de jun. de 2011

Olha a merda que deu (9)

Por essa eu não esperava. Eu e minha mania de fazer piadas sem graça, daquelas que só eu acho graça. É isso que dá.

Fazia tempo que não saíamos, e eu não tinha ideia de onde ir. Já tínhamos ido a pizzaria, no japa, bar, boteco, boate, minha casa, casa dela, motel, enfim, lugares frequentados por casais. E nós não éramos um casal. Acho que nunca fomos um casal.

Nesse dia, logo que a peguei em casa, já mandei a primeira piadinha pra quebrar o clima. Nós rimos e decidimos ir num barzinho tranquilo para podermos conversar numa boa.

Chegamos, sentamos, pedimos, brindamos, rimos um para o outro. E toda vez insistia e falava pra ela: olhe em volta e me diga se há algum casal rindo como nós dois.

Ela olhava, tomava um gole, sorria para mim, tomava outro gole, sorria de novo, e eu ali, não podia falar nada muito sério pra não chegar naqueles assuntos.

Ela tirou da bolsa uma caneta muito bonita e disse que ganhara no trabalho. Eu logo disse, escreve um bilhete de amor pra mim. Ela riu, acho que não levou a sério. Ela quase nunca me leva a sério. Pedi mais uma vez, escreve um bilhete de amor pra mim, quero ver sua letra. Como se fosse um bilhete de presente de dia dos namorados.

Dois dias depois nós fomos ao cinema, ela estava linda, maquiada, arrumada, e eu de calça jeans e camiseta, sem saber se ela ia ao cinema comigo ou a uma festa com alguém. Compramos os ingressos e fomos andar até a hora do filme começar. Chegando perto do banheiro ela tira uma folha da bolsa, me entrega e diz, está aqui, não queria ver minha letra?

Era uma carta de três folhas falando sobre nossa história de amor, que já tinha mais de dois anos.

Hoje estou namorando e em menos de uma semana tenho que comprar um presente de dia dos namorados. Eu e minha mania de fazer piadas que só eu acho graça.

16 de mai. de 2011

Olha a merda que deu (8)

Estava em casa sábado sem nada para fazer depois do almoço, doido para alguém me convidar para qualquer coisa. Entediado, olhando para a televisão e usando o computador para conversar e ver fotos dos outros. De repente meu telefone toca.


Era o Dalton, colega de trabalho, me convidando para um churrasco com sua namorada e uma amiga dela. Pronto, nada melhor. Troquei de roupa, peguei o carro e fui. No caminho fui pensando em como deve ser essa amiga. Parei na farmácia e comprei um pacote de camisinha – não gosto, mas não conheço a mulher, tem que usar.

Cheguei no churrasco e começamos a beber, comer, conversar. Ficamos um bom tempo assim, até que meu amigo saiu com a namorada e eu fiquei sozinho com Cláudia. Logo de cara eu disse, não aguentava mais esperar para beijá-la. Nos beijamos.

Depois de algum tempo começou o funk. Cláudia foi dançar. Parecia uma potranca dançando, aquela bunda rebolando, requebrando até no chão, coisa linda de ver. E nisso fui me empolgando com a situação, pensando em como seria no motel.

Quando parou o funk ela veio para perto de mim, fomos para um canto e voltamos aos beijos – agora eu sabia que podia apertar um pouco mais. E ali mesmo o pau foi quebrando, foi esquentando. Só não rolou sexo.

Nisso meu amigo chega e chama para irmos para outra festa. Pensei, é agora. Fomos todos para outra festa. No caminho passamos na casa dele. Ele pegou um azulzinho para cada. Mordi um pouco menos da metade, só pra garantir a performance. Quando voltei para o carro, Cláudia estava um pouco sonolenta, e eu disse, nossa festa é particular.

Toquei para o motel. Chegando lá, fui ao banheiro e quando voltei ela estava deitada, dormindo na cama, apagada de tanta bebida. Dei uns tapas para ela acordar e nada, só resmungou, vem, vamos dormir de conchinha.

Dormir de conchinha no motel é o caralho. Deixei a mulher dormindo, saí pela entrada – falei pra recepcionista, só vim deixar o pessoal aqui, abre aí que tenho pressa, não posso ser visto aqui. Voltei pra casa bêbado, com o azulzinho fazendo efeito ainda.

Cheguei em casa puto, tirei uma e fui dormir. Dormir de conchinha com funkeira? Vai pagar de santa pra outro, filha da puta.

25 de abr. de 2011

Olha a merda que deu (7)

Namorei sério muitos anos, fiquei noivo e quase casei. Tinha data marcada, igreja reservada, madrinhas com vestido na costureira, as tias dela me fritando a cabeça; isso não é novidade, eu sei, já que elas praticamente fizeram tudo, até mesmo forçaram o pedido de casamento.

Faltando um mês para o casamento eu armei um esquema para ela me pegar com uma mulher. Foi um choque, ninguém acreditou, só ela. Terminamos tudo. Enfim, livre.

Comprei uma passagem de ida para uma cidade bem longe, em outro continente, onde estou hoje. Vendi carro, casa, roupas, móveis; só não vendi minha mãe. Sou filho único e não tenho pai, por isso preservei minha mãe.

Fiquei um ano e meio sem dar notícias para as pessoas, só para minha mãezinha que eu ligava a cada dois dias para dizer onde eu estava. Mandava dinheiro pra ela e pedia para guardar, pois não sabia o dia de amanhã.

E foi numa dessa que entrei onde estou agora. Sempre vivi pensando que poderia morrer e não ter aproveitado a vida. Fiz isso com casamento, com os amigos, enfim, com tudo. Não me arrependo de nada, exceto de uma coisa, ter combinado a hora que ligaria para minha mãe.

Liguei no domingo, como combinado. Quando eu disse alô, do outro lado da linha veio uma voz conhecida, “alô, seu cachorro, sei que está numa boa aí, ganhando bem e mandando dinheiro pra sua mãe; quero que saiba de uma coisa, estou entrando na justiça para reaver o tempo de pensão que você não pagou para seu filho, que tem o nome do meu atual marido. Passar bem!”

Puta que pariu, nem aqui eu me livrei dela! E o pior não é isso, minha mãe sempre me fala, “meu filho, ele é lindo, é a sua cara, você precisa ver.”

20 de mar. de 2011

Olha a merda que deu (6)

Há tempos eu queria sair com aquela mulher, e sabia que justo agora tinha terminado um namoro demorado. Sabia que era fiel, honesta, gente boa, perfumada, gentil, educada. Era tudo o que eu queria.

Não sabia o que esperar dela. Pensei em convidá-la para uma pizza e um vinho, mas logo de cara percebi que não seria fácil assim um jantar romântico. Isso poderia ter um efeito negativo, e ela lembrar do ex a todo instante.

Enfim consegui sair com ela. Fomos a uma festa de uma amiga dela. Levei um amigo e pedi para ela levar uma amiga também, para fazer par para este amigo. Ele é gente boa, tranquilo; o único problema é que o cara é o boa pinta da turma, e eu fiquei com medo dele roubar minha gata.

A amiga da minha gata era linda, até mais que ela. Meu amigo se deu bem. Só que isso não me importa, eu estava com a gata num canto e ele com a outra no canto deles, a sós.

Conversamos bastante e logo de cara eu vi que a gata era realmente muito legal. O problema é que no meio da conversa eu toquei num assunto que não devia e ela começou a falar do antigo namorado. E papo vai, papo vem, ela falava dele. Às vezes fazia cara de choro ao lembrar do camarada.

Ficamos em silêncio um pouco, aproveitei para beijá-la. Não foi um beijo muito gostoso, mas mesmo assim eu gostava de estar ali acompanhado dela. Fazia tempo que queria isso. Ficamos um tempo no canto conversando, beijando, bebendo. Ela bebia mais do que eu.

De repente aparece o ex dela acompanhado de uma mulher maravilhosa. Pensei, menos mal, pelo menos o cara não tá sozinho e não vai me avacalhar. Como não avacalhou. Pelo menos ele.

A gata começou a ficar puta com a situação, foi lá tirar satisfação, saber o que ele fazia ali, e o pior, começou a provocá-lo, a xingar a mulher que estava com ele. Eu não sabia o que fazer, não sabia onde me esconder, pra falar a verdade. Eu já estava na porta indo embora quando vi a minha gata dando tapas e jogando cerveja no vestido daquela mulher maravilhosa. Chamei meu amigo da porta, ele não quis deixar a mulher sozinha e ficou. Tive que ir embora sozinho.

Depois que entendi por que o cara não quer mais saber dessa mulher. E nem eu! Tô correndo de mulher barraqueira. A filha da puta passou a noite inteira xingando o ex, quando ele aparece com uma mulher mais bonita, mais magra, mais tudo do que ela, ela faz isso.

Tô fora.

14 de fev. de 2011

Olha a merda que deu! (5)

Minha mãe é conhecida como a melhor cozinheira da família, faz os melhores pratos, e isso é consenso. E o prato desta vez: feijoada – eu pensei que seria para umas cem pessoas.

Cheguei em casa na noite anterior, numa larica desgraçada, bêbado, três e meia da madrugada. Entrei em silêncio, fui direto para a cozinha. A casa toda em silêncio, as luzes apagadas, e eu na cozinha, de frente para a panela de feijoada.

Não pensei duas vezes, fiz um prato só de carnes e feijão e fui para a frente da televisão. Não gosto de escuro, ligo a tevê e deixo sem som. Fico olhando para as imagens e comendo feijoada, e nessa hora só passa mulher pelada. Não tem nada como comer feijoada vendo mulher pelada na televisão.

No segundo prato lembrei que meu pai guarda cerveja gelada na gaveta da geladeira e peguei uma. Agora estava melhor ainda, mulher pelada, cerveja e feijoada. Só na zona mesmo pra ser melhor que isso. A vantagem é que em casa posso peidar no sofá – por isso em casa é melhor.

Feijoada boa assim só amanhã, pensei deixando o prato na pia. Dois pratinhos antes de dormir, mais uns dois ou três amanhã, tirando o tira-gosto, a cerveja, a caipirinha. Só pra manter.

Dia seguinte eu acordei numa ressaca, puto, a família inteira gritando na minha cabeça, os primos pequenos pulando na cama, me acordando pra jogar videogame, outros querendo a bicicleta, as tias perguntando pela namorada, enfim, aquela merda.

E eu acordei numa caganeira tão grande que no primeiro peidinho quase borrei.

2 de jan. de 2011

Olha a merda que deu! (4)

Um amigo meu, uma vez, me contou uma história que eu não acreditei. E ainda hoje não acredito que tenha sido verdade. Olha a merda que deu!

Ele conheceu uma mulher muito bonita e gostosa na academia. Conversaram e trocaram telefone. Saíram pra balada e ficaram. Foram ao cinema e mais outros programas desse tipo.

Essa mulher tem fama de ser bem fresca. Dessas que pra tudo fazem cara feia, não gostam de nada, só do que tá na modinha da televisão. O medo desse meu amigo era só um, dela não dar pra ele.

Um dia ele quase comeu na casa dele. Ela deixou que ele conhecesse seus seios com as mãos e um beijinho só, por enquanto – ela chegou a tirar toda a blusa!

Ela disse que não transaria em casa, só em motel. E ela queria um quarto bem chique com espelhos no teto, luzes, dois ou três ambientes, banheira. Prometeu que usaria tudo com ele.

É claro que ele pediu o melhor quarto. Ele disse que começaram bem, ela realmente não estava segurando o jogo. Tirou o vestido e estava sem calcinha, depiladinha, uma delícia. Disse que a primeira seria uma fantasia.

Ele sugeriu a banheira e ela topou na hora. Ela levantou e foi para a banheira. Começou a procurar álcool por todo quarto. Separou um rolo de papel higiênico e voltou a procurar álcool. Ligou e pediu uma garrafa de álcool.

Esse meu amigo foi tomar banho – não tinha ideia do por que do álcool.

Ele me disse que quando saiu do box ela estava de quatro limpando a banheira com álcool, “jamais entraria numa banheira de motel sem ter certeza de que estava limpa”. E ela reclamava que não conseguia limpar tudo.

Resultado, nem banho ela quis tomar, ficou com medo de micose.

6 de dez. de 2010

Olha a merda que deu! (3)

Eu tenho um sério problema: não posso ver mulher bonita. Estava à toa e decidi passar na livraria, ali na Savassi. Logo na entrada dei de cara com uma linda vendedora, branquinha, linda! Meu ponto fraco.


Sabia que ia dar merda!

Fiquei lendo uns livros, olhando, procurando. Enfim perguntei a ela por um título. Ela olhou no computador, e nós fomos para a estante. Então ela indicou um autor e nós começamos a conversar. Comprei o livro.

No dia seguinte fui lá para falar minha impressão sobre o livro. Era dia de folga dela. Pedi o telefone e ninguém deu.

Fui lá no outro dia e ela parecia mais linda ainda. Comprei outro livro do mesmo autor. O preferido dela. Eu nunca tinha ouvido falar bem dele, só comprei por ela mesmo. E até que eu gostei.

Dois dias depois fui lá falar do livro. E a cada dia ela estava mais linda. A minha dúvida era se ela ficava mais linda com os cabelos soltos ou presos. Essa geralmente é minha dúvida. É a minha grande questão da humanidade: ela fica mais linda com o cabelo preso ou solto?

Comprei outro livro. E sempre do mesmo autor. Eu passava horas na livraria conversando com ela. Ela atendia as pessoas e voltava para falar comigo. A chefe não falava nada, já que o movimento não era intenso.

Fiz isso durante dois ou três meses.

Enfim saímos para beber e conversar. Era tudo o que eu queria.

E não é que a desgraçada é lésbica e filha da dona da livraria!

19 de nov. de 2010

Olha a merda que deu! (2)


Eu tenho alguns princípios que gosto de seguir, e um deles é observar e conhecer o máximo possível a minha volta. Logo que entrei na faculdade, no ano passado, eu já fui procurar um banheiro menos sujo, uma cantina mais vazia – enfim, fui conhecer o lugar.

No segundo semestre do curso eu fui a uma festa de calouros. Essas festas sempre são boas, ficam todos bêbados e descontraídos, e assim é fácil pegar umas gatas. Eu bebi bastante aquele dia.

Já no meio da festa eu conheci uma caloura bem gata, loirinha de cabelos cacheados – nunca vou me esquecer. Ela gostava de falar encostando os peitos em mim, provocando, me deixando de pau duro.

Bebíamos cerveja, vodca, caipirinha, até lança apareceu lá. Comecei a apertá-la forte nos beijos, passar a mão em sua bunda – muito gostosa por sinal – e subia e pegava na nuca, segurando firme.

E então ela disse, vamos sair daqui. Na hora eu pensei, vou levá-la ao banheiro do reitor, lá sempre tem papel, sabonete, é limpo.

Entramos e trancamos a porta do banheiro, ninguém entraria ali. Entramos na primeira porta e já começamos a tirar a roupa, os beijos voltaram a ferver, esquentando, e ela sentou na privada e começou a tirar minha calça.

Ela sentada e eu em pé, estava tudo perfeito até eu olhar para a parede. Estava escrito bem forte: seu pau é pequeno!

Ela tirando minha calça, e eu lendo, seu pau é pequeno. Aquilo foi me incomodando, e eu não conseguia deixar que ela tirasse minha calça.

O problema das palavras é esse, um filho da puta escreve isso para foder com um e acaba fodendo com outro!

17 de out. de 2010

Olha a merda que deu!


Apaixonei por uma mulher pela internet. Nós conversávamos todos os dias à noite. Era certeza que estaríamos conversando no mínino uma hora e meia. E quando não íamos para a casa cedo – o que poucas vezes aconteceu – mandávamos mensagem no celular avisando.


No começo eu falava de outras mulheres, e ela me falava de alguns homens. Eu não tinha ciúme, até o dia em que ela falou sobre sexo. Aí eu pirei. Me contava histórias cabeludas, eu não conseguia acreditar.

Num feriado prolongado decidi visitá-la de surpresa; uns 1500 quilômetros de distância. Pelo que me falou era a mais gata de todas. Pelas fotos era branquinha do cabelo escuro, como eu gosto. Não mostrara foto do corpo, só que pela face eu sabia que era uma delicinha de mulher.

Cheguei e liguei do aeroporto. Depois de dez minutos de conversa eu disse que estava lá, finalmente. E finalmente eu faria todas aquelas sacanagens que ela falava pelo computador. Era só esperar mais uns minutinhos para comer aquela morena branquinha deliciosa.

Fiquei no hotel até tarde e nada dela aparecer.

Até que chegou uma gordinha, cabelo pintado de amarelo – ela disse que eram luzes.

Eu logo pensei, olha a merda que eu fiz! Gastei uma grana com avião, hotel, restaurante, para chegar e encontrar com uma típica loirinha do pentelho preto.

Nunca mais quero conhecer gente pela internet.