28 de set. de 2009

Em busca de que mesmo?

Escrever sem revisar depois é uma grande dificuldade, pelo menos para mim. Sempre que escrevo algo eu guardo, depois releio e se precisar mudo alguma coisa. Mas aqui não é bem assim. Escrever em blog é um desafio interessante e um bom risco a correr.
Ao mesmo tempo que pratico a escrita aqui criando textos para serem publicados na hora fico pensando se devo colocar algum antigo e depois fazer outro. O problema é que sempre penso isso. Mas acaba que escrevo algumas linhas e pronto, está publicado.
Uma dúvida interessante é a questão da perfeição. Será que é perfeccionismo ou medo? Pela vaidade aposto no medo de escrever alguma linha torta, uma vírgula mal colocada. Claro que a perfeição é buscada, mas jamais alcançada - espero. Se um dia fizer uma crônica perfeita, o que será da próxima?

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Acabei de voltar do cinema, fui assistir ao UP - altas aventuras. Muito interessante!
É a história de um senhor que se casa com uma amiguinha de infância. Eles passam a vida inteira sonhando fazer uma aventura pela selva na América do Sul. Ela morre e ele fica sem nenhuma esperança. (Daqui pra frente não conto, assista, é muito bom).
Chamou muito minha atenção o fato de não ser um romantismo barato, com uma historinha de amor e que no final fica tudo bem. Tem momentos dramáticos, alegres, para rir e até chorar.
Não sei como uma criança interpreta este filme, já que para as crianças os filmes são sempre as mesmas historinhas engraçadinhas. Espero que as crianças gostem como eu gostei.
A produtora do filme é muito respeitada, e me parece que não é o primeiro neste estilo. Buscarei os outros para poder falar.

24 de set. de 2009

Bom dia

__Acorda, são sete horas.
__Já vou…
__Anda, acorda! Daqui a pouco vai perder o ônibus.
__Tá bom…
__Olha que hoje não te levo hein… Anda logo vai!
__Aham…
__Acorda… vai perder a hora…
__Tá bom…
__Vai perder hora.
__Que horas são?
__Sete e quinze já!
__Mas meu dentista é as onze.
__Eu sei, mas acorda pra ficar acordada já.
__Hoje é sábado…
__Amor, são sete e meia.
__Tá bom…
__Acorda amor, são quinze pras oito.
__Uhum…
__Oito horas!
__Porra! Que merda! Me deixa dormir em paz. Eu acordo mais tarde, pego o ônibus e vou.
__Precisa acordar de mau humor?
__E não tenho motivo?
__Calma amor… Tava chamando pra fazer o café.
__Ah! Vai tomar banho! Porque não faz esse café e toma e pára de me amolar. Puta que pariu!
__Nossa, se soubesse teria deixado dormindo.
__E devia mesmo! Saco!
__Oito e vinte amor!
__Cala a boca porra!
__Nossa! Já acorda assim… imagina à noite.
__Nem imagina. Vou tomar um banho.
__Toma gelado pra economizar, tá bem?
__Ah! Tá sim… Vou tomar bem gelado pra ver se quando eu sair não enfio a mão na sua testa.
__Enquanto isso vou assistir ao jornal da manhã.
__Não me amolando…
__Amor?
__Quê!
__Esqueceu de me dar bom dia…

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Esta e outras estarão no livro Conversa Fiada que preparo com calma e paciência.

21 de set. de 2009

Badi Assad

A primeira vez que ouvi Badi Assad tocar e cantar foi fatal! Me instigou com sua performance como violonista, cantora, e seus sons particulares. E estes sons são fantásticos.
Uma prova de disciplina, vontade, criatividade, coragem. Li uma entrevista antiga e ela falava sobre uma proposta de uma grande gravadora em seu trabalho, porém ligado ao pop. Ela não foi e continuou encantando as pessoas pelo mundo.
Assisti a uma apresentação solo em 2006. Logo que lançou Wonderland. E agora ela está aqui para você curtir. Conheça a Badi Assad!

Curtam!

16 de set. de 2009

Tatiana

Por aí não, por aqui. Vem logo. Falei pro Rogério que ia só ao banheiro. Que estava muito apertada, devia ter umas três horas que não fazia xixi. Vamos logo.
Droga de clube. Tudo aberto, menos um banheiro! Vem logo e para de olhar para trás. Assim ele desconfia. Ou está preocupado com aquela? Que mulher mais cafona você trouxe para a festa, hein... Não tinha outra melhor, não?
"Tati, aqui tá bom. Só o tempo de dar um beijinho", disse Fernando.
Que só um beijinho o quê! Vem logo que temos tempo. Essas festas de condomínio são um saco!
"Nossa Tatinha, que aflição!"
Essa mocréia deve ser tarada, por isso não importa comigo, não é? Vamos ali, parece um lugar bom.
"Isso, aqui!"

14 de set. de 2009

Ê vida...

Sábado pela manhã, as 9h, estávamos esperando o jogo começar no banco de reservas. Ainda não tinha sido decidido os titulares, então surgiu o assunto: ah não!, você viu o fim da novela ontem?
Pronto! Era só o que faltava. As respectivas esposas haviam chorado; ainda não sei o motivo. E meus companheiros não, apenas assistiram ao final do capítulo com elas. Agora imagine a cena: a esposa reclama com o marido por que este vai jogar bola todo sábado pela manhã enquanto ela vai ao salão, só que ela não sabe que entre o jogo só não se fala de mulher! Nunca vi isso, um monte de homens correndo atrás da bola e falando de novela!

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À noite fui a uma festa típica com ciganos e música. Chope liberado. Era mais casal e crianças, e da minha idade só uma mesa.
O pessoal gasta uma grana com umas bobagens! A música estava ruim. As comidas também. O chope, como era de graça, a gente deixa passar. Depois de uns copos voltei para casa pensando e fui dormir.
Nada de mais...

*

E domingo é aquela coisa de sempre, quando não se tem o que fazer... Agora é torcer para alguma coisa boa acontecer.

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Uma parente da minha avó (97 anos) liga de Goiás para avisar que um cunhado havia sofrido um derrame. Precisa preocupar assim uma senhora de 97 anos?
Agora, para dar uma boa notícia ninguém liga.

11 de set. de 2009

Homenagem a João Cabral de Melo Neto

Foi feito uma homenagem ao poeta João Cabral de Melo Neto em forma de documentário. E deste documentário, saiu uma entrevista impressa apenas online pela Sibila.
E aqui mando o link para quem gosta e quer conhecer um pouco mais o poeta. É um link do Portal Literal, e lá você faz download do pdf da entrevista. Clique aqui.

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A EDUCAÇÃO PELA PEDRA


Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições de pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.


João Cabral de Melo Neto

4 de set. de 2009

"Fininho da vida"

"Fininho da vida" é o título de uma música do Rappa, do novo cd 7x. Fiquei pensano sobre este título um bom tempo. E juntando a letra fiquei pasmado.
Realmente, quem anda pelas ruas das cidades passa por pessoas que estão ali para sobreviver, vendendo o almoço para comprar a janta. E muita gente passa por essa situação. E muitas vezes numa boa. Fazendo do arroz com feijão um banquete!
Ontem quando estava saindo de Belo Horizonte pela via expressa, ainda no centro, vi uma cena interessante enquanto pensava sobre o que escreveria aqui. Estava pensando sobre as pessoas que nada tem e com isso fazem música, ao estilo rap, sem melodia, sem grande criatividade, com poucos recursos tecnológicos. E justamente pensando nisso vi um camarada saindo do bar com um cigarro e curtindo um rap bem alto.
O bar é frequentado por catadores de papel. E este camarada provavelmente é um catador. Ele devia ter feito a entrega, recebido seu dinheiro pelos papelões, e estava ali, fumando seu cigarro, bebendo sua cachaça, ouvindo seu rap. Este é o fininho da vida!
E logo adiante passei pelo restaurante popular. Lotado, claro! Fila enorme para entrar e fazer a refeição. São pessoas que ficam agradecidas pela refeição por 1 real. E para elas essa refeição é a salvação, pois não teriam o que comer. Nós, ou alguns de nós, sabemos que poderia ser feito muito mais por essas pessoas.
Ver a beleza do pôr-do-sol pela passarela que liga a rodoviária a estação de metrô, entre as gritarias dos comelôs, empurrões; parar e observar a bela flor na praça, a criança correr com sua inocência; ler um livro enquanto espera o ônibus depois do dia cheio; fazer a barba no banheiro da rodoviária.

"No buraco da vala, a laje é brinquedo. / Em meio a pet e plásticos / num domingo festivo, omingo lindo!" (O Rappa)

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Quando estava no primeiro ou segundo ano da faculdade queria fazer um trabalho sobre letras e poesia, tinha até nome: Letras que viram poemas. Este nome foi dado para um trabalho que fiz sobre a intertextualidade entre certas músicas.
E se fosse retomar este trabalho faria sobre as letras do Rappa, com certeza. (Outra hora falo sobre isso).