22 de mar de 2014

A verdadeira

Sempre escrevi sobre a vida alheia, a mulher dos outros. Hoje decidi escrever um pouco sobre mim. E também sobre a verdadeira mina do cara.

A vida parece ser uma brincalhona, apresenta-nos ideias e situações para nos colocar no nosso devido lugar. E nada de achar que a vida é nossa, nós que decidimos tudo.

Eu sou uma pessoa muito agitada, sempre a mil por hora, sempre pontual; dormir à tarde é tão raro em minha vida quanto ver uma estrela cadente.

Já a Lívia é o contrário: o contrário da agitação, nem um pouco pontual; dormir à tarde é um sonho, se pudesse era sempre.

Eu nasci pra praticar esportes, já  joguei futebol, basquete, vôlei, ando de skate longboard (até com minha cachorra na coleira), adoro pedalar - trilhas e asfalto -, pratico Kravmagá há anos e detesto faltar aos treinos; sem contar as caminhadas e corridas com a Lara.

A Lívia é justamente o contrário. Já nadou mas não nada mais. Não é ligada aos esportes. De vez em quando caminhamos com a Lara. Fora isso... nada de esporte.

Hoje em dia não bebo cerveja mais - alergia - mas vinho adoro. Então eu e a Lívia preparamos uma janta e bebemos um vinho juntos. Nisso nós dois combinamos.

Eu sou leitor de literatura e adoro ler livros, já a Lívia nem tanto. Eu sou professor de português (pelo amor de Deus, não contem a ninguém) e a Lívia é professora de biologia (a mais querida da escola). Ela tem vontade de fazer mestrado e doutorado; eu não, não nasci pra academia nenhuma.

É claro que escrevo aqui situações opostas para ilustrar como a vida é engraçada. Nós dois somos parecidos em algumas coisas, porém muito diferentes em muitas outras. Eu sou a favor da legalização da maconha, ela acha que tem que ver. Eu queria que meu filho não precisasse frequentar escola, ela discorda disso.

Entre diferenças está nosso amor, o respeito, a amizade, o companheirismo. Entre todas as nossas diferenças está a vontade de ficarmos juntos, construirmos e dividirmos um lar. Para isso que existem as semelhanças e diferenças, para nos encontrarmos, nos balancearmos.

Já pensou que chato seria se ela risse de todas as minhas piadas sem graça. Por exemplo, hoje fomos a um restaurante com outros professores, ela bebeu cerveja e eu não. Agora ela está aqui ao meu lado, dormindo com dor de cabeça, amanhã estará de ressaca, e eu não. Veja o lado positivo.

É justamente por haver diferenças que aprendemos a conviver com as pessoas, a respeitar, a amar. O amor é isso, aceitar que duas pessoas diferentes são capazes de conviver numa boa.


Amar é: escrever uma crônica de amor enquanto sua mulher ronca ao seu lado.

6 comentários:

Previously disse...

ô.. que bonito, moço!

Carolina villela pimenta disse...

Que lindos

Livia disse...

E você me ama assim, do jeito que eu sou. E eu te amo, um pouquinho mais....

Mina Cara disse...

Pois é, abri meu coração enquanto A Mina do Cara estava dormindo depois umas cervejinhas a mais...

Um beijo e um abraço e nunca se esqueça: A Mina do Cara te ama!

artista sem pena disse...

Difícil falar de si mesmo, né?
Curti o teu blog, Cara!
Visite o meu!

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido
também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
Sou António Batalha.