13 de mar de 2014

Toca Raul


Hoje acordei tão Raul Seixas. Me senti um maluco beleza. Saí de casa e a rua estava vazia, parecia o dia em que a Terra parou. Não quis pensar nisso, afinal, assim como o inseto de Kafka, sou uma metamorfose ambulante. Tentei pegar o trem das sete mas não deu, tentei o metrô 743 mas não deu. Parado é que eu não posso ficar. Se é de batalha que se vive a vida, vou tentar outra vez. 
Ouvi as badaladas e descobri por quem meus sinos tocam. Foi uma surpresa, pois descobri, entre outras coisas, que quem gosta de maça irá gostar de todas porque todas são iguais. E pensando em comida já veio aquela vontade de comer uma banana, que como vovó já dizia, engorda e faz crescer; mas como não tinha banana, comi pão e osso duro. Pelo menos estava com meus óculos escuros.


Sabia que não deveria ter levantado e saído pra rua, deveria ter ficado em minha cama, tomando meu café pra fumar, mas como não sou um canceriano sem lar, preciso correr atrás e pagar as contas, afinal, é fim de mês, e eu já paguei a conta do meu telefone, já liquidei a prestação do paletó, do meu sapato, e da camisa que eu comprei. Ainda bem que sou eu que compro, já que antes eu calçava 37 e meu pai me dava 36, até que um dia eu falei: vou escolher meu sapato que não vai mais me apertar!

Eu aproveitei que acordei nessa segunda-feira me sentindo o Raulzito e decretei feriado, tentei viver numa sociedade alternativa, mas sozinho não consigo, tentei outra vez, e outra vez... Decidi colocar esse país pra alugar, ninguém dá valor mesmo. Fiquei matutando qual era o verdadeiro problema, pensei inúmeras palavras difíceis que estavam ao meu lado no dicionário e nada de achar, fui ao boteco e, movido à álcool, cheguei à conclusão: o problema é muita estrela pra pouca constelação.

Como nada dava certo resolvi voltar pra casa e espiar a vizinha tomando banho de sol. Mas que tristeza, ninguém vai acreditar, eu vi duas mulheres botando a aranha pra brigar. Por essa eu não esperava, tive que gritar: vem cá mulher, deixa de manha, minha cobra quer comer sua aranha. Ela me xingou de todos os nomes e disse que me difamaria na vizinhança. O pior é que quando acabar o maluco sou eu...

Com essa onda de 15 minutos de fama já descobri como vou aparecer nos jornais, quero tocar fogo onde bombeiro não vem, vou rasgar dinheiro, tocar fogo nele, só pra variar... Se não conseguir meus minutinhos de fama vou abrir uma Igreja Invisível, contratar o pastor João, e dizer aos quatro cantos o segredo do universo, a verdade sobre a nostalgia.

A única pessoa que encontrei na rua, nessa maluquice toda, foi um homem com uma viola na mão que contava uma história mais ou menos assim... não sei por que nasci pra querer ajudar e querer consertar o que não pode ser... Assim como meu amigo Pedro, sou um caubói fora da lei.

Um dia tão maluco como esse só pode terminar de uma forma... vou chegar no alto de um prédio, pegar um megafone e gritar: é por isso que agora em diante, pelos 5 mil alto falantes vou mandar berrar o dia inteiro, TOCA RAUL!

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