8 de out de 2012



Eleições 2012


Quando nasci me deram nome de santo. Quando cresci me dei um nome justo, Jack. Esparro vem dos amigos, velhos de guerra. A vida ensina muito, e eu aprendi que posso viver intensamente e quando estiver na pior, lanço um livro contanto minhas maluquices, vendo os direitos para o cinema, e assim passo meus últimos anos de vida dando palestras.

Em época de eleição é um saco andar pelas ruas, é papel que não acaba mais. O que gosto é de passar pelas placas. Olho a cara do pilantra, dou uma risadinha e cuspo. Lembro um dia, saindo do bar, depois de beber o dia inteiro, cansado de ir no banheiro fedido, fui na rua. Procurando uma árvore, vi uma placa de candidato a qualquer coisa.

Veio um guardador correndo, achando que eu mijava no carro, e quando viu que era na placa sorriu e disse, é nosso banheiro, pode ficar à vontade.

Sábado, véspera de eleição, saímos para beber durante o dia. Pegamos duas caixas de cerveja, a seda, e fomos pro Papa. Sentamos à sombra, abrimos a primeira e preparamos o primeiro. Como é bom sombra e cerveja gelada.

Ao sair da praça, fomos laricar. Bebemos e comemos pizza mais umas duas horas. E então não poderíamos passar a noite fora, pois em dia de eleição não pode vender álcool na rua – hipocrisia. Passamos no supermercado, encontramos uns amigos, compramos mais cerveja e vodka e fomos pro sítio com eles.

Minha especialidade é bolar baseado. Sou mestre nessa técnica. Fiz um cone, pegamos a estrada e tocamos pro sítio ouvindo blues.

Ao meu lado estava Su, a gatinha da turma. Ela foi quase no meu colo, apertada no carro. Se tem uma coisa que me faz pirar, é ver uma mulher fumando. Reparava sua tragada, ficava imaginando. Bebendo, fumando, a gata coladinha, blues... É dura a vida do artista.

No sítio, o bicho tava quebrando. Uma banda de rock, uma galera espalhada, sentada, deitada, correndo, em roda, de tudo que é jeito.

A primeira coisa que fiz foi pegar uma lata, tomar rumo pro banheiro pra depois curtir.

Que loucura de festa! Encontrei a Su, cebolada, dançando como maluca. Meus parceiros de carona, todos cebolados, na vodka com energético, saltitando. É claro que não fiquei para trás.

Tava todo mundo louco, já no meio da madrugada, a banda para e entra um DJ fritando nossa cabeça. Cacei meu rumo andando entre cangas com pessoas sentadas e deitadas. Tropecei numa roda e uma voz ecoou, olha por onde anda seu maluco!

Nem quis saber, passei a andar pisando nas pessoas, gritando, vamos todos pra frigideira, hora da fritação! Corria gritando, vamos todos pra frigideira, hora da fritação!

Corria pela pista gritando e esbarrando nas pessoas. Vamos todos pra frigideira, hora da fritação!

De dia, nem sei que horas, estava com uma lata na mão, um cone na outra, voltando para a cidade para votar.

É dura a vida do artista.

3 comentários:

2edoissao5 disse...

eu fico pensando como dá trabalho enrolar um baseado, tenho muita preguiça, prefiro não fumar...rsrsrs

Bípede Falante disse...

que ritmo tem o seu texto!
gostei demais.
irreverente, ácido, diferente.

beijos

Lelena

Pedralha artista disse...

Só a turma dos artistas mesmo para compreender essa filosofia de vida...
Um abraço Jack!