18 de set de 2011

Letícia

Estava em casa sem ter o que fazer, doida para alguém ligar e convidar para fazer algo. Até velório. Mas nada, nem um desgraçado para me ligar. Para que pedem tanto o meu número se na hora ninguém liga. E quando liga, tem uns que dão um toquinho a cobrar para eu retornar. Só rindo mesmo, essa vida é uma comédia.


Do nada entrei para o chuveiro decidida a sair para qualquer bar, sozinha mesmo. Não estava mais afim de ficar em casa, sexta, depois de uma semana pesada.

Sentei no Brasil 41, ali no final da Brasil. Pedi a primeira e acendi meu cigarro, a cerveja chegou, tomei um gole, desceu como cachoeira, virei mais um gole. Tem nada melhor que uma cerveja gelada, nem mesmo uma boceta.

Agora vai se perguntar, escutei certo?, é uma mulher falando que só cerveja gelada é melhor do que boceta?, e eu lhe digo, é isso mesmo. Gosto é gosto, não é mesmo? Pois é. E espera que vou contar o que aconteceu para eu chegar aqui assim, desse jeito.

O começo é o seguinte, eu estava em casa enlouquecida por que não tinha absolutamente nada para fazer, nada! E foi me batendo a noia, fui ficando desesperada, cortei minha mão com uma faca, entrei para o chuveiro de roupa e tudo. Só soube disso quando acordei, com a vizinha batendo na minha cara e me mandando levantar e criar vergonha na cara.

Tomei sopa que ela fez, sentei com ela no sofá e esperei-a dormir. Logo que a novela terminou ela dormiu. Eu disse que ficaria assistindo mais um pouco, o próximo filme é ótimo, eu disse, e completei, boa noite, muito obrigada, a senhora me salvou a vida.

Foi essa velha que me fez vir pra cá, desgraçada. Desde então levo choques na cabeça. Daqui a pouco gritam meu nome e me levam. É só esperar.

O que aconteceu, na verdade, é o seguinte, trabalhei como professora primária por dez anos. Um dia resolvi largar essa vida de professora e curtir o mundo. Eu era professora de arte, sabe, e resolvi deixar as crianças para conhecer o mundo, sozinha.

Comecei a contar uma história, emendei na outra, e na outra, e não deu para contar como tudo começou. Então vamos lá, é assim, quando descobri que teria que fazer uma prova muito difícil na escola, e que eu não tinha aprendido nada, absolutamente nada, eu chorei, pedi para faltar, inventei mil e uma desculpas e minha mãe não cedeu.

Confirmado o zero, fui ao banheiro e cortei meus pulsos, entrei e disse, está aqui o zero que eu dou, sua gorda-baleia!

“Letícia!”

Está vendo, chamaram. Agora vou pro choque. Depois eu conto a história inteira pra você.

“Letícia!”


7 comentários:

Michele Santti disse...

Muito bom aqui. Adorei.

Um beijo,
Michele

Alline disse...

Letícia toma choque e não perde a classe. E eu gostei dela e do jeito que a história caminhou... loucamente.

Beeeeeeeijo pra ti, visse? ;)

Luna Sanchez disse...

Doideira com nexo : tu consegue.

Eu gostei.

Beijo.

Hope* disse...

Rs!
Adorei o blog, deu uma passeada em alguns posts, criatividade é o que não falta por aqui...

Abç!

lil miss Sauniya' disse...

the translation reads a lil funny but i love the way you write!! :)

A Mina do cara! disse...

Michele, valeu! Vou lá conhecer seu blog agora.
beijo

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Alline, assim que tem que ser, não? A vida é mesmo uma loucura...
beijo

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Luna, doidera...
beijo

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Hope, a gente faz o que pode. Valeu! Vou lá conhecer o seu agora.
abraço

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Lil, thanks a lot, nice to know you. Come back here again.

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Pois é galera, o mês dos nomes tá um sucesso e eu agradeço a você, leitor(a).

Um beijo e um abraço.

A Mina do Cara te ama!

Patrícia Castro disse...

À vezes as pessoas fazem um "Bicho de sete cabeças"... Minha mãe levou muito choque, tadinha... e no que deu: eu,hehehe. Bjs