4 de jul de 2011

Maldito bilhete

Era uma vez um amigo, que estava apaixonado há tempos. Seu nome, José. Sua paixão, Talita. Um só problema: o maldito bilhete – que eu escrevi.

José apaixonou à primeira vista, era todo dia falando de Talita para os amigos; não precisava ter bar, cerveja, melodrama ou qualquer pretexto. Era paixão, e paixão avassaladora. Não tinha medo de dizer isso a ninguém. Talvez isso o tenha ferrado.

Depois de muito tempo conseguiu sair com Talita. Disse que foi muito bom conhecê-la. Conversaram bastante, divertiram bastante também. Do primeiro encontro saiu pensando: “vamos nos dar bem”. E minutos depois, lembrando de algo dentro do restaurante, pensou: “essa mulher á apaixonante, mas acho que nos conhecemos na hora errada”.

Quanto a isso – se conheceram na hora errada – eu não acredito. Os dois tiveram tempo de sobra para saber a hora certa para se conhecerem. Ele não quis dizer nada do que aconteceu entre os dois até hoje, só fala no maldito bilhete – que eu escrevi.

José é um amigo que não fala detalhe sobre nenhuma mulher que amou. Sobre Talita ele fala apenas: “não deu tempo de amá-la”. E parece que fala com certo peso, pois acredita que ela tenha medo de que sua paixão a faça sofrer. E é justamente isso o que ele não quer, fazê-la sofrer.

Fiquei encucado com isso, pois uma vez indiquei meu amigo a fazer o mesmo e deu certo. E por que será que com o Zé deu errado? Ele tem certa desconfiança, mas disse que só fala sobre isso o dia que tiver certeza. Ele disse que sonha com ela até hoje. E olha que eles se veem três ou quatro vezes – no máximo – por mês.

Eu nem digo mais nada pro Zé. É problema dele querer uma mulher que nada quer com ele. Primeiro ele queria mandar um trecho de música: “estranho seria se eu não me apaixonasse por você”. Consegui tirar isso da cabeça dele.

Ele começou a me contar sobre o último encontro, há um bom tempo. Disse que foi lindo, os dois estavam na mesma sintonia, conversando, rindo, parecia que era a hora certa de dizer a ela sobre o que pensava. Notou em seus olhos um brilho, não um brilho como o seu, de paixão, mas um brilho de lágrimas. Não comentou com ela, preferiu ficar calado e beijá-la.

Depois desse dia não aguentou e me disse: “preciso dizer a ela, me ajuda com um bilhete.” E foi aí que nós nos desentendemos. Ele diz que a culpa é do maldito bilhete. Eu digo que a culpa não é do bilhete. Não quero dizer de quem é a culpa – se é que existe culpado para isso.

Ele está puto comigo, eu sei disso. E não está puto com ela, eu sei disso. Sugeri a ele escrever outro bilhete, agora assim: “Talita, só me diga uma coisa: como eu não me apaixonaria por você? Não estou prometendo amor eterno, felicidades mil, ou qualquer outra coisa, só quero saber de você isso: tem como eu não me apaixonar?, você retribui, me procura, me faz pensar em você. Eu sonho com você todos os dias que a vejo.”

Tô tentando convencê-lo a entregar este maldito bilhete a ela e acabar de vez com esse melodrama que mais parece novela de televisão.

13 comentários:

Valéria Sorohan disse...

E agora José?
O que será que havia no tal bilhete?

BeijooO*

Drisph disse...

Me deixou curiosa...
aproveitando para convidá-lo a conhecer o meu blog e participar da promoção do sorteio de meu livro, dia 10/07, um super beijo, e o que estava escrito no bilhete heim?

Long Haired Lady disse...

mostra esse bilhete oras!

Cristina Maria disse...

Primeiro:
Eu nem digo mais nada pro Zé. É problema dele querer uma mulher que nada quer com ele.

Segundo:
Tô tentando convencê-lo a entregar este maldito bilhete a ela e acabar de vez com esse melodrama que mais parece novela de televisão.

Temos essa mania de querer ajudar, deixa o Zé, o Zé com o seu amor platônico que sendo assim, foi corrompido de sua ilusão, é fácil culpar o bilhete, quem escreveu, se não ferir o amor que tornou sua razão. Deixa ele, mais um zé, com gosto de desilusão na boca e com um coração que não cansou de ser ferido.

Hotel Crônica disse...

Legal, cara...
Esse zé é um ninguém hein?


Espaço pra merchan:

Errar é o mano?
www.hotelcronica.blogspot.com

A Mina do cara! disse...

Valéria, vou ver se posso publicar o bilhete, ok?
um beijo
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Drisph, vou lá, quero ganhar o livro - que fique claro que não entro pra perder... Rs.
um beijo e volte mais...
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Long, e as minas dos caras gritam: mostra, mostra, mostra...
beijo pro cê.
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Cristina, a mina do cara de Foz que toma vinho tinto na elegância enquanto eu viro copos de cerveja com risadas, amigo é pra isso mesmo...
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Hotel, esse amigo não posso dizer quem é, só posso dizer uma coisa, Certa Palavra!

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Então meus caros leitores, e minhas caras leitoras, quero que saibam de uma coisa muito importante: A Mina do Cara te ama!

Drisph disse...

Olá, bom dia...
Obrigada por passar em meu blog, a questão das drogas realmente, é bem aquilo que disse mesmo, o mal do século, e como a aids, uma doença sem cura, e que mata degradando.
Então, sobre o livro, basta seguir o blog e já estará concorrendo automaticamente; já estou pondo seu nome na lista. Neste mês, o livro sorteado será O segredo de Eva, é um dossiê poético, inspirado na mitologia.
Mês que vem, o romance ficção, o voo da estirpe. todo mês vc estará concorrendo a um livro; tive esta iniciativa com intuito de incentivar à leitura, pq dizem por aí, que o BR não lê, porém, um beija-flor, já pd fazer a sua parte para apagar o fogo na floresta.
Um abraço.
Adriana

Luna Sanchez disse...

"Corre, cara, é uma cilada!"

Rs

Por que eu não me surpreendo em encontrar um trecho de "All Star" em um post teu, hein? (Se bem que isso me deu uma ideia para licença poética...rs)

Beijos.

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

essa história de amor a primeira vista nunca foi boa coisa, mas José tinha um bom amigo para lhe ajudar a cair da sua nuvem

A Mina do cara! disse...

Dripsh, estarei lá sim, ok?
foi um prazer conhecer seu blog.
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Lunática, sabe como é que é né...
beijo
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Non Je, pois é, em se tratando de amor nunca se sabe de nada...
abraço

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E você que leu e não comentou, e está aqui lendo os cometários, pra você eu digo uma coisa só: A Mina do Cara te ama!

Hotel Crônica disse...

Muito bom seu blog!!
Gostei demais!
Parabéns

Hotel Crônica

A Mina do cara! disse...

Hotel, gostou mesmo? Não conhecia?
Legal cara...


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E você que está lendo os comentários mas não comentou, quer dizer alguma coisa? Então diga...

Eu só digo uma coisa: A Mina do Cara te ama!

Carneiro, B disse...

Adorei seu blog por completo, e esse texto em especial, pois me fez lembrar de boas histórias...
Mas se der pra publicar o bendito (?) bilhete, acho que muitos de seus leitores ficariam satisfeitos, hahaha.
Parabéns!