4 de nov de 2009

Livros

Desde criança eu escuto meu pai dizer que livro é muito importante. Sempre dizia isso. Nós líamos revistinhas e depois passamos aos livros. Uma vez, eu devia ter uns 7 anos, fui ao aniversário de um amigo da escola e advinha o que dei de presente. Um livro.
Na hora fiquei um pouco com vergonha, pois só eu havia dado um livro de presente. Mas tudo bem. Depois eu li outro livro e me conformei pensando que meu amigo devia ter entrado na história e curtido seu momento de leitura. Nunca perguntei pelo livro. Nós estudamos juntos até os 16 ou 17 anos.
Quando fui morar em Floripa os livros entraram em minha vida por definitivo. Nessa época eu comecei a ler muito. Tive uma professora fundamental para isso, Regina Brasil. Com ela comecei a compreender os escritores brasileiros modernos principalmente.
E nesses anos de Floripa eu comecei a vasculhar livros nas estantes da biblioteca. E dos sebos também; sempre que vou lá vou nos sebos que conheço e gosto. Era conhecido como o menino que ficava lendo. Enquanto todos estudavam para o vestibular eu ficava lendo. Claro que não passei naquele vestibular.
Voltei para Foz do Iguaçu - minha cidade de coração - e cursei Letras. Lá tive outro grande professor de literatura, Ildo Carbonera. (Este com mais de 10 livros publicados entre poesia, crônica, ensaio, romance).
E lá também eu era conhecido como o cara que ficava sentado nas estantes lendo. Isso porque os livros de crônica ficavam quase no chão, então para escolher... Em Floripa eu conheci Cruz e Souza e Saramago, entre todos os que li foram estes os que mais me marcaram. Já em Foz eu descobri inúmeros cronistas fantásticos.
Só que entre as leituras cheguei ao Rubem Fonseca.
Continuei lendo de tudo e vários livros diferentes. Depois de alguns anos voltei para BH, minha cidade natal. Aqui trabalhei na biblioteca pública. Imaginem...
Fiz amigos leitores aqui. E sempre que vou lá encontro alguns e conversamos. Muitas indicações deles para mim, e algumas minhas para eles. Certa vez chegou um leitor que queria um livro do Ferrez. O livro chegara e saíra no mesmo dia. Foi quando uma leva chegou de uma vez só. E nós ficamos conversando um bom tempo. Camarada morador da periferia queria algo comum a sua realidade. Queria o livro do MV Bill então. Acho que estava emprestado também. Então dei-lhe Feliz Ano Novo, do Rubem Fonseca.
Depois de 15 dias ele voltou com o livro. Gostou, só que achou muito pesado e disse uma frase que me marcou muito: o final é muito triste. E ele também achou um pouco difícil a leitura. E nesse dia ele levou o livro do Ferrez e do MV Bill. Depois disso nos encontramos na rua e conversamos numa boa.
Entre ficção, crônicas, ensaios e livros teóricos, estou sempre com um na mão. No ponto de ônibus sempre no cantinho onde pego a luz do poste.
São companheiros, os livros.

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