15 de ago de 2010

Ninguém come sozinho

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Só o babaca aqui que achava. Sempre fui um namorado exemplar. Ligava dando boa noite, mandava mensagem de bom dia, escrevia versos. Eu sou um idiota mesmo.



Eu gosto de passar as tardes assistindo a programas de televisão, em especial os de comédia. Adoro todos aqueles programas. Ela não gosta muito, ou diz que não gosta, já nem sei mais. Só sei que ela adora malhar, correr, praticar esportes. E eu detesto.

Vivia dizendo para eu pedalar com ela nos finais de semana. Nunca fui, até parece que vou deixar de ver corrida para pedalar em volta de uma lagoa fedorenta.

É muito injusto isso. Quando nos conhecemos ela tinha tido apenas um namorado, pelo que me falou. E na primeira vez que fomos para a cama ela fez algumas coisas que eu só via em filme. Fiquei encucado com aquilo.

Ela tendo namorado apenas um cara teria aprendido tudo aquilo?
           
O otário aqui começou a pagar o personal pra ela, para ela não precisar ir até o centro de ônibus, voltar pra casa, tomar banho, e ir para a faculdade. Sem contar que ela trabalha durante o dia.

Vez por outra eu ligava convidando para jantar no Japonês, ali mesmo perto da sua casa. Ela sempre ia, mesmo que antes nós fazíamos amor, tomávamos um banho, e quando a fome já estava nos matando saíamos de casa.

 Em matéria de amor sou tradicional. Gosto de um amor sem grandes variações, com muito beijo, muito carinho. E sem essa putaria desgovernada de filme. Isso é só para filme mesmo.
           
Resolvi fazer uma surpresa na quinta-feira. Cheguei ao prédio com um buquê de rosas amarelas, um cartão lindo, com o verso mais bonito que eu já escrevi até hoje. E para minha sorte, ou azar, quando cheguei a vizinha de frente estava entrando. Aproveitei e entrei com ela no prédio, no elevador, no corredor.

 Nós dois estranhamos o barulho e a música alta logo que saímos do elevador. Ficamos sem graça com os “isso, vamos, vamos, está cada vez melhor”.

 Liguei mas o celular estava desligado. Esperei uns vinte minutos ali no corredor escuro, com as rosas na mão, torcendo para ser a amiga com o namorado. De repente o namorado da amiga sai do elevador. Assustado, me pergunta, “o que faz aqui no corredor escuro?”
           
O que eu ia dizer a ele? “Cheguei agora mesmo.”
           
Tocamos a campainha e ninguém atendeu. “A Fa deve estar no banho”, eu disse a ele. “E a Mi deve estar trocando de roupa, não sei por que essas mulheres demoram tanto.”

A namorada dele eu jurava que era uma santinha. Não é possível, o filho da puta além de namorar uma santinha linda vai presenciar e saber que sou um corno?, eu pensava angustiado.

Acenderam a luz, começamos a ouvir vozes. Só deu para escutar, “não esqueça que na semana que vem é dia de pagamento”.
      
Olhamos um para o outro no corredor, os dois assustados. Ela abriu a porta. Eu quis matar os dois ali mesmo, mas não conseguiria. O cara é um desses bombados que a gente jura que é broxa. E o filho da puta estava comendo minha namorada.

Ele me viu com as rosas na mão, viu meu amigo, olhou pra Fa e perguntou, “mora mais alguém aqui com vocês duas?”
           
Como dizia um amigo: “sem hipocrisia, ninguém come sozinho.”

11 comentários:

Sir DarkHeart disse...

HIUEHIUEHUIHEUIHEUIHEUIEHIUEHHEIUEH
temço.

pau duro disse...

porra.... e eu achava q so EU q comia!!kkkkkk

Valéria Sorohan disse...

Há pouco te imaginava como o último dos românticos...rs

BeijooO

Lis disse...

ai ai ai sem palavras.... :$

rsrsrs

Mgomes - Santa Cruz disse...

Oi Mina do Cara; mais um lindo texto, me pareces muito ramantico.
Abraços
Santa Cruz

Cacheada disse...

e por incrivel que pareça o numero dos caras que a gente jura que brocha estão crescendo significamente

Vi e Ouvi Por Ai disse...

que coisa hein?? huahuahuahuahua...

Bjsss

Vivian

Gabi Rodrigues disse...

Ai tadinho...eu tinha esperança que no final fosse tudo um grande engano, pq achei o cara um fofo*---*
Mas adorei o texto mesmo assim.

Bjão!

Manuela disse...

isso é verídico? rsss

A Mina do cara! disse...

Verídico? Claro que não...

Meu amigo me disse que depois desta crônica ele não pensa em casar mais.

Grafite disse...

Adorei...simplesmente bom! =)

beiijo,
*.*